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7 de fevereiro de 2012

Grupo Espírito Livre Será Entrevistado na TV Cultura

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Salve povo!


Mais uma vez o grupo Espírito Livre rompe fronteiras e surpreende com seu engajamento na disseminação e promoção do RPG em nossa região.


"Nesta quinta, a partir das 13:30h (fora do horário de verão), na TV Cultura - Pará, vai ao ar mais uma edição do programa "Sem Censura Pará", que este ano completa 25 anos de entrevistas à personalidades que abordam temas dos mais variados, como política, cultura, educação, etc... esta edição será extremamente especial para o meio RPGistico; através desta tradicional TV estatal, os Jogos de Interpretação de Personagens ganharão um amplo espaço na mídia. Diante do projeto "Libertando a imaginação - Sessões de RPG no Centur", que terá seu 1º encontro nesta sexta, a partir das 14h na Gibiteca da Biblioteca pública Arthur Viana - Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves - houve interesse da produção do programa em abordar o tema, com uma entrevista ao Espírito Livre grupo de RPG."


Nós do RPG Pará ficamos muito felizes com essa oportunidade que surge ao cenário RPGístico regional e desejamos muito sucesso aos integrantes do Espírito Livre que forem participar da entrevista.

Galera do Estado do Pará! Não percam a oportunidade de conferir essa entrevista.

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9 de junho de 2011

Portal RPG Online Entrevista John Bogéa

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Salve povo!

Ontem o Portal RPG Online entrevistou o John Bogéa, que além de ser um dos vencedores do concurso produzido pela Secular Games: "Faça Você Mesmo: Criação de jogos" com o jogo Abismo Infinito e um dos desenvolvedores do jogo Terra Devastada, é um de nossos colaboradores do RPG Pará.

Temos um grande orgulho de trabalharmos e trocarmos idéias com o John. E com grande prazer que indicamos a leitura sua entrevista acessando o seguinte link: Entrevista com John Bogéa.
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24 de fevereiro de 2011

Entrevista - Marcelo Rodrigues

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Olá pessoal! Hoje trago a vocês uma entre vista com Marcelo Rodrigues, um dos criadores do 1º RPG Brasileiro Tagmar, Belemense - diga-se de passagem - e, atualmente, coordenador geral do Projeto Tagmar 2. Espero que gostem! Até!

1. Marcelo, faça uma breve apresentação sobre você.

Nasci 1965 em Belém-PA, mas em 1972 me mudei para o Rio de Janeiro. Sou Engenheiro de Computação, Casado com 2 filhos. Atualmente trabalho em uma empresa de desenvolvimento de Software atuando como gerente de projeto.

2. Conte um pouco sobre a história de Tagmar, quando surgiu, seus criadores, etc.

Comecei a jogar RPG em 1985 (AD&D) quando entrei na faculdade. Quando chegou no final dos anos 80 eu percebi que a mecânica de jogo dos RPGs não era nada de especial. Na época tinha um grupo e a pessoa que mais conhecia RPG era o Ygor (um amigo meu). Trocamos umas ideias e percebemos que não seria difícil fazer um RPG, e melhor ainda... se fosse feito estaríamos sozinhos no mercado! A oportunidade comercial era ótima. Foi assim que surgiu a ideia de fazer um RPG Nacional. O projeto levou 3 anos e foi necessário mais 2 pessoas para se juntar a nós. Criar o sistema do Tagmar foi fácil... Escrever um manual de regras de 200 páginas que incluía a ambientação, magias e criaturas... Isto sim foi muito difícil.

3. Quais as inspirações para o mundo de Tagmar? O que levou ao surgimento do cenário?

Ygor era o nosso mestre e jogávamos num mundo fictício que ele tinha inventado chamado... Tagmar. Quando decidimos criar um RPG Brasileiro, nos inspiramos diretamente em Tolkien e na mitologia grega. A história do mundo de Tagmar na verdade é mais inspirada na mitologia grega que em Tolkien. Uma decisão tomada foi colocar como grandes vilões do cenário os demônios e não os dragões. A questão de escolher a tônica do cenário em volta dos demônios e a “seita”, fez do cenário do Tagmar ser bem diferentes dos cenários da TSR.

4. Qual ou quais foram as causas para o fim do Tagmar 1?

Retorno financeiro. Éramos quatro sócios e o retorno financeiro era baixo. Simplesmente não dava para viver de RPG, principalmente porque o mercado entrou em crise no fim dos anos 90. A GSA não faliu. Apenas fechamos, já que não tínhamos dívidas.

5. Como se deu o retorno de Tagmar?

Em 2004 descobri que um grupo tinha colocado umas copias scaneadas do Tagmar em um site. No inicio fiquei muito chateado e entrei em contato com os responsáveis pelo site e pedi para retirarem, mas avisei que iria conseguir a autorização. Reuni os autores do Tagmar e consegui a autorização. Infelizmente este grupo não levou adiante a ideia e acabei por assumir isto. Começou bem modesto com um grupo no YahooGrupos, mas incrivelmente surgiu pessoas de tudo que foi lugar do Brasil e em pouquíssimo tempo passamos a ter dezenas de pessoas colaborando. Tanto que o Tagmar 2 foi lançado em apenas 1 ano de trabalho.

6. Atualmente o projeto Tagmar 2 conta com a ajuda de colaboradores tanto para playtest, como para escrever o cenário ou criação de regras. Quantos colaboradores atuam hoje no projeto?

Isto varia muito, pois há uma flutuação grande de pessoas entrando e saindo. Podemos afirmar (através de uma consulta na nossa base de dados) que o pessoal ativo nos últimos 6 meses foram na ordem de 60 pessoas.

7. Você pensa em algum dia tornar a publicar Tagmar 2 com objetivo de retorno financeiro?

Isto está fora de cogitação. Seria uma traição ao pessoal que vem contribuído com o Tagmar 2, alem do que, a licença atual não permite isso. O que pretendemos é disponibilizar um serviço para venda de cópias impressas. No caso a pessoa estará pagando pela impressão e não pelo livro. Mas este serviço não será prestado pelo Projeto Tagmar 2, mas sim por lojas de impressão rápida (bureau de impressão).

8. Como você vê o projeto Tagmar 2 hoje? São feitos muitos downloads? Você vê ou conhece grupos que continuam a jogar?

Sim, há muitos Downloads. Pode parecer que estamos contando vantagens, mas em 2010 tivemos uma média de 10GB de download/mês correspondendo a mais de 1000 downloads mensais! Estes números são do nosso provedor de hospedagem e se referem aos downloads dos nossos mais de 30 títulos disponíveis. Só reparei nestes números recentemente. Quanto a grupos que jogam, conheço sim. Inclusive isto é uma constante entre os participantes do projeto... o Tagmar 2 é construído por quem o joga!

9. Você faz alguma outra forma de divulgação ou o RPG é apresentado somente pelo site?

Temos tido apoio de diversos sites de RPG que tem publicado reportagens e notícias do Tagmar 2. As vezes por conta própria anuncio o Tagmar pelo Adwords do Google. Temos também panfletos impressos que são distribuídos em eventos e em algumas lojas de RPG.

10. O projeto Tagmar 2 participa de eventos de RPG? Vi em algumas fotos que vocês estiveram na RPGCON 2010, isso é uma constante?

Sim é uma constante, pois é importante divulgar o Tagmar 2. Para ser exato, desde 2005 participamos de eventos. Alguns no RJ (Dia D do RPG, X3Zone, Encontro no Bobs) e outros em SP (EIRPG e o RPGCON).

11. Para finalizar, quais as suas perspectivas para o futuro do projeto Tagmar 2?

As perspectivas do Tagmar 2 são bem promissoras. O Tagmar 2 é um produto que já nasceu digital, e agora com a popularização dos e-readers, tablets e NetPcs, cada vez mais as pessoas estão se acostumando a não ter versões impressas. A Wikipédia foi a pioneira... agora nos dias de hoje... quem quer comprar uma enciclopédia?

12. Suas considerações finais.

A grande maioria das pessoas já ouviu falar do Tagmar 2, mas muitos nunca se quer deram uma olhada nos nossos livros. O Tagmar 2 é um produto muito bom, com uma boa jogabilidade e com um suporte bem extensivo. São mais de 30 títulos que incluem Regras, Cenário, Contos & Romances, Aventuras, Criaturas, Magias, e vários outros materiais de suporte.... e melhor de tudo... 100% gratuito! Não deixem visitar o site do Tagmar em www.tagmar2.com.br. Muitas pessoas tem se surpreendido.

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18 de fevereiro de 2011

Entrevista - Jaime Daniel Cancela

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Olá a todos que acompanham o RPG Pará!!!
Hoje o Blog traz para vocês uma entrevista com Jaime Daniel, RPgista, Dançarino de Tango (!!!), Ex-funcionário da D3Store, e um dos principais responsáveis pelo amadurecimento e desenvolvimento de nosso hobby, graças ao seu trabalho como Presidente da LUDUS CULTURALIS ( Uma ONG dedicada à promoção da qualidade de educação e inclusão social por meio de estratégias lúdicas utilizando o RPG).
Então, vamos saber o que o Jaime tem a dizer sobre diversos assuntos, que incluem trabalho, a vida de pai, o RPG e o Tango:



1 – Jaime, vamos começar com a pergunta clássica, como foi seu primeiro contato com o RPG?
A veia lúdica sempre foi forte em mim. Quando pequeno, alguns amigos me passavam jogos que eles não conseguiam entender as regras para que eu ensinasse a eles como jogar, então estava sempre atrás de jogos diferentes. Sinceramente, não lembro bem o que joguei primeiro, se foi Hero Quest ou se foi Aventuras Fantásticas, mas apesar de uma ou duas más experiências, comecei então um hobby que nunca mais abandonaria. Pelo menos até hoje estou jogando... 
2 - E quando foi que o RPG se tornou “trabalho” para você?
Bom, tem a questão de remunerado ou não...
Embora tenha feito um ou outro serviço remunerado, como organizar equipe de mestres na Bienal do Livro ou treinamento de executivos da Roche no Chile usando RPG, a grande maioria dos “trabalhos” que tive no RPG foi de graça. Meu primeiro trabalho pago real com RPG seria uma tradução para Devir, mas meu "emprego" de PAI chegou primeiro, e tive que deixar passar. Então, comecei a ganhar dinheiro com RPG com o blog Arca do Mestre (onde vendia material de segunda mão ou fora de linha) e depois aceitei o convite do Douglas "d3" Gumarães para criar a d3store. Hoje, fora da loja, tenho novos planos, alguns remunerados e outros não. Estou entusiasmado com a volta do Domingo RPG, da Arca do Mestre (com outro enfoque) e de um outro projeto que logo devo divulgar e espero que todos participem, inclusive vocês! 
3 – Você foi membro da Ludus Culturalis (Uma ONG dedicada à promoção da qualidade de educação e inclusão social por meio de estratégias lúdicas utilizando o RPG) e por dois anos foi o seu presidente, nos fale um pouco sobre a criação da Ludus e dos trabalhos realizados por ela.
Na verdade, fui presidente por quatro anos, pois fui reeleito! E aí fui eleito Diretor Secretário, pois o estatuto não permitia outra reeleição.
A LUDUS CULTURALIS foi criada com o objetivo básico de promover o Simpósio RPG e Educação, que teve quatro edições entre 2001 e 2008, fundada por educadores e praticantes de RPG que queriam demostrar que o RPG podia ser algo mais além de excelente forma de entretenimento. Creio que as principais conquistas da LUDUS foram:
- I, II, III e IV Simpósios RPG & Educação: Mais de 2.000 pessoas, entre professores, educadores e interessados, participaram das quatro edições, sendo que já começaram os preparativos para a quinta edição em 2008; com apoio da Devir Livraria, Terramédia, Apeoesp, SIMPEEM, Confraria das Idéias, Prefeitura da Cidade de São Paulo, Secretaria Municipal de Cultura, Centro Cultural São Paulo, SIMPEEM, Revista abcEducatio, Secretaria Municipal de Educação, Círculo de Leituras, Fundação Volkswagen e UNINOVE.

- I e II Colóquios Curitiba RPG Educação: realizados em Curitiba/PR em 2003 e 2004, com apoio da Prefeitura da Cidade de Curitiba, da Secretaria Municipal de Educação, Fundação Cultural de Curitiba, Terramédia, Itiban, Secretaria Municipal de Cultura e Gibiteca de Curitiba.

- Projeto RPG nos CEUs: durante 14 meses, mais de 4000 pessoas jogaram RPG nas unidades CEU (Centro Educacional Unificado) da Prefeitura de São Paulo, um processo que mobilizou 134 narradores voluntários em 192 visitas às 21 unidades de setembro a dezembro de 2003 e de março a dezembro de 2004.

- DIA D RPG: A LUDUS (na pessoa de Carlos "Caco" Lourenço) foi uma das participantes do I e II Dia D RPG, evento simultâneo que aconteceu ( e acontece, né?) em DIVERSAS cidades brasileiras, de todas as regiões do país, desde 2007.

- A travessia do Liso do Suçuarão: uma aventura pelo Grande Sertão de João Guimarães Rosa. Publicação de uma aventura-solo baseada na obra Grandes Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, na Revista do Ensino Médio do MEC (jan. 2004), com tiragem de 400 mil exemplares, distribuída em todo o território nacional.

- Teomaquia: a batalha pelo Olimpo. Aventura especialmente elaborada para treinamento de executivos, a pedido da Roche Farmacêutica, aplicada em Santiago, Chile, em agosto de 2006.

- Anais do I Simpósio RPG & Educação: transcrição das palestras do I Simpósio RPG & Educação, publicado em parceria com a Devir Livraria em 2004.

- Domingos de RPG na Casa das Rosas: encontros temáticos de RPG que aconteceram na Cada das Rosas, em São Paulo/SP, durante o mês de setembro de 2005, em parceria com o Governo do Estado de São Paulo, a Secretaria Estadual de Cultura e o Espaço Haroldo de Campos de Literatura e Poesia.

- Jornadas Lúdicas: realizadas em janeiro e fevereiro de 2006, um encontro para fãs de RPG, cardgames e jogos de tabuleiro, em parceria com o SESC Pinheiros, em São Paulo/SP.

- Participação em grandes eventos de RPG, como as últimas edições do Encontro Internacional de RPG de São Paulo/SP e Curitiba/PR, e do RPG & Cultura de João Pessoa/PB.

- Palestras e oficinas, voltadas tanto para jovens quanto para educadores, que realizamos com grande satisfação em escolas, faculdades, empresas e instituições como: Externato Nerina Adelfa Ugliengo (Ribeirão Pires/SP); EMEF 'Antonio Carlos de Andrada e Silva' (São Paulo/SP); Colégio Senemby - Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio (Caieiras/SP); Colégio Marupiara - Ensino Fundamental e Médio (São Paulo/SP); Colégio Objetivo (Campos do Jordão/SP); Faculdades Associadas de Cotia (Cotia/SP); Círculo de Discussão da Meta-Arte, Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo (São Paulo/SP); Centro Comunitário de Vila Nova Cachoeirinha (São Paulo/SP); Escola Bosque - Educação Infantil e Ensino Fundamental (São Paulo/SP); Laboratório Aché (São Paulo/SP); Grupo Votorantim (várias cidades do Estado de São Paulo); Instituto Mairiporã de Ensino Superior (Mairiporã/SP); SESC - Ipiranga, Belenzinho, Interlagos, Pinheiros, Santos, São Caetano, Consolação, Taubaté e outros (SP); EE Domingos Mignone (Taboão da Serra/SP); Fórum da Juventude Ativista (São Paulo/SP); CLIP REBI (São Bernardo do Campo/SP); Fórum de Educação para a Não Violência (São Paulo/SP); Fundação Bradesco (Osasco/SP); EMEF Prof. Afrânio de Mello Franco(São Paulo/SP); EMEF Euclides da Cunha (São Paulo/SP); Colégio Saint Clair (São Paulo/SP), Colégio Objetivo (São Paulo/SP), EE Toufic Juliano (Carapicuíba/SP), 19ª Bienal do Livro (São Paulo/SP), Centro de Cultura Da Juventude da Prefeitura do Município de São Paulo-CCJ, e as bibliotecas municipais Paulo Duarte, Malba Tahan e Monteiro Lobato (São Paulo/SP).

Isso para não citar as entrevistas para TV, jornais, revistas e diversas outras participações que vou acabar esquecendo de citar.
Isso foi pouco? Muito? Não sei, mas tenho a impressão que ficou coisa por haver... Ainda tinha muita coisa que a LUDUS poderia fazer... Mas tudo tem seu momento. E eu já estava cansado daqueles que tentavam promover-se com a LUDUS, e outros que queriam denegrir nossa imagem, insinuando que eramos caixa-dois da Devir, ou que nós tinhamos sido criados apenas para criar um argumento de defesa do RPG contra as acusações de envolvimentos com crimes. Não ter que lidar com esses patetas ignorantes já serve de algum consolo pra mim.
4 – E qual é a sua analise do RPG e Educação hoje em dia?
Nunca antes na história deste país houve tanta coisa publicada sobre RPG e educação!
Brincadeiras a parte, têm muita gente boa (e outros nem tanto) trabalhando no assunto. Aqueles que foram a vanguarda deram espaço a um pessoal novo que esta aparecendo e quer dar sua contribuição a discussão, o que já prevíramos que aconteceria com o passar dos anos. Aquela garotada que era adolescente quando começamos a discutir o assunto hoje esta fazendo graduação, e na hora do TCC pensa "hei, se posso escolher um tema, por que não RPG?", e a bola de neve continua...
Mas é preciso que esse pessoal entenda o que REALMENTE significa a utilização da técnica do RPG na educação. Muita gente ainda pensa que é pegar a galera na sala de aula e jogar D&D para mostrar o que é um castelo. O pessoal não tem a menor noção dos trabalhos que tem surgido, com a utilização do RPG para ensino de biologia, português, inglês, astronomia, literatura, marketing, informática... nossa, tanta coisa! E ainda tem gente que acredita que RPG na educação é jogar dado e fazer continha... ah, para com isso!!
E NÃO, RPG E EDUCAÇÃO NÃO É UMA INVENÇÃO PARA DEFENDER O RPG. É um conceito inovador que pode ser uma interessante ferramenta alternativa para a educação, e pensar qualquer outra coisa é uma ofensa para muita gente competente que existe por aí!
5 – Em novembro de 2009, você escreveu em seu blog (http://jaimedanielleandro.blogspot.com/) um texto onde se perguntava se a Ludus ainda era necessária. Irei estender a pergunta, você acha que o trabalho feito por associações de RPG ainda é necessário? Principalmente na questão RPG e Educação?
Depende, qual o objetivo da associação?
Uma associação depende de vários fatores para funcionar, mas é primordial que tenha-se em mente duas perguntas:
1- Qual o verdadeiro objetivo da associação?
2- Como ela vai se sustentar?
Eu algum tempo atrás tive uma conversa com membros de um grupo de São Paulo que me perguntaram sobre o que eu achava sobre isso e aquilo no tocante a associações, e por que a LUDUS estava inativa. Eu comecei a citar os motivos e expliquei que achava bom ela estar parada, pois nenhuma associação vivia de entusiasmo. Vi que minhas respostas causaram mal-estar e perguntei como eles planejavam sustentar aquela organização tão interessante e quais os planos para realizar essas idéias. Ninguém me respondeu...
Uma associação de RPG é necessária se o seu trabalho é necessário. Então cada grupo tem que ser analisado em seu contexto e em sua realidade local. Que ninguém se engane achando que vai criar uma associação brasileira de RPG com alguma legitimidade, porque eu duvido que isso vá acontecer. Mas pequenos grupos organizados para promover encontros em suas cidades ou para criar e divulgar este ou aquele cenário e/ou sistema, esses sim eu acredito que continuarão a surgir de tempos em tempos.
Sobre a LUDUS, eu acho que ela ainda é necessária porque ela tinha um aspecto único que favorecia sua existência e facilitava seu relacionamento com os pesquisadores: ela não produzia material acadêmico, e sim se preocupava em mostrar tudo o que havia por aí, sem querer diminuir ou enaltecer projetos. Isso estimulava a participação de diferentes idéias e opiniões nos Simpósios RPG, até mesmo contraditórios. Os grupos que aparecem hoje são formados pelos próprios acadêmicos, que invariavelmente acabam criando grupinhos isolados, e isso não permite uma maior comunicação entre eles. E não acho que num curto espaço de tempo isso vá mudar.
6 – Você é marido de Maria do Carmo Zanini, Editora do Mundo das Trevas Storytelling, como você vê as criticas feitas por alguns jogadores ao trabalho feito por ela, principalmente no quesito tradução, como Rpgista e como marido?
Como marido E como jogador eu acho que críticas devem ser feitas com propriedade e se você realmente sabe o que esta falando. Caramba pare e pense: eu não concordo com isso por que está errado ou porque eu não gostei? Se está errado, então vamos dizer "olha, segundo o dicionário Clark Kent o termo schnervst significa anchovas, e não paralelepípedo! Você errou!!" Isso esta certo! Mas vir com "ah, eu não gosto que diga eqüino, quero que seja cavalo!!! Você é uma péssima tradutora!!!" então, qual é o parâmetro??? Eu detestei a escolha em D&D de traduzir o termo ranger para patrulheiro, mas estava errado? Não, era uma questão de gosto pessoal MEU, e não acerto ou erro.
Eu acompanhava muito as discussões no Orkut, mas deixei disso depois de perceber que aquilo é terra de ninguém. Um dos cidadãos postou "MC Zanini deveria ouvir mais a comunidade ao escolher os termos!" Ceeeerto! E o que ela faz ao colocar essa discussão no twitter? Ou no blog Contatos Imediatos, conquista pessoal dela no site da Devir? O engraçado é que o cidadão ignorou completamente os comentários daqueles que dizem gostar das traduções! Então eu pergunto quem é que deveria mesmo ouvir as opiniões dos outros?
Tempos atrás a MC entrou no Orkut devido a uma insistência minha para que ela se aproximasse mais da comunidade e esclarecesse algumas dúvidas, já que o contato da Devir com o público era péssimo. Lembro até hoje que dois ou três comentários depois da apresentação dela um sujeito postou "ela é da Devir galera, pau nela!". Um sujeito desses quer realmente discutir algo seriamente?
E se as pessoas realmente soubessem o quanto ela é dedicada ao trabalho, não teriam coragem de fazer certas ofensas. Ela, mesmo de licença-maternidade, continuou trabalhando (mesmo com meus protestos!) no concurso Eu Criatura, porque sabia que ninguém mais faria isso por ela na empresa. Já a vi perder uma tarde inteira para descobrir o significado de UM termo mais complicado de tradução. E o pessoal fica dizendo que as traduções são feitas de qualquer jeito, sem nenhum respeito pelo público, se bem que já reparei que parte desse pessoal não lê um livro da Devir a anos...
7 – E quem dá mais palpite nas traduções, você ou a Raissa? 
Eu NUNCA opino sobre as traduções. O máximo que acontece é ela pedir minha opinião sobre um trecho se esta claro o suficiente pra mim. Ela deve pensar "se ele entender, qualquer um entende..." rs.
O que acontece mais é eu ajudar com alguma idéia ou projeto ou servir de contato com este ou aquele grupo (por exemplo, quando algum blog quer entrevistá-la). Gosto de ajudá-la nos concursos, ou em outras idéias que vão surgindo. É meio complicado para MC, porque ao contrário de D&D, por exemplo, não há uma Equipe Mundo das Trevas. Então a MC tem que sera editora, traduzir, escolher os tradutores que farão outros títulos, revisar as traduções, verificar os títulos a serem lançados, responder e-mails, criar campanhas de divulgação da linha... Muita coisa pra uma pessoa só! Então ajudo como posso. Mas houve uma ocasião em que eu realmente me intrometi, que foi na ocasião da passagem do Storyteller para Storytelling.
Já a Raíssa também se interessa muito pelo trabalho da mãe, e tenta sempre contribuir com suas idéias... Volta e meia, se o notebook fica ligado, a MC chega e tem uma parte do texto assim "mnyuyhhhhhhhhhçwoxll,.........oeod,..."

8 – Você trabalhou durante algum tempo D3Store, a loja de vendas de livros de RPG e CardGame do site D3System, e assim como sua esposa, você também sofre criticas pelo seu trabalho, sendo chamado de mercenário, sacana e até psicopata! Como você reage a essas criticas e o que tem a falar sobre elas?
Ah, então você lê o meu blog! Sabia que tinha alguém que lia!
Olha, muita gente acha que RPG dá muito dinheiro. Mas isso é uma grande ilusão. E, ao contrário de todo mundo por aí, eu dou os números para quem quiser saber. Eu escrevi uma série de quatro artigos chamado Capitalismo e a arte sublime do RPG na qual eu falava abertamente sobre a produção editorial de RPG, mas acabei interrompendo a série depois do segundo artigo. Para alguns é automático o argumento "ah, mas se livro não dá dinheiro, como é que tem tanta livraria?" E eu respondo com outra pergunta então: Se RPG dá tanto dinheiro, por que a Martins Fontes, Companhia das Letras, Cosac Naify não entram no mercado de RPG? Será que elas têm medo das grandes editoras Devir, Jambô e Daemon? Fala sério...
RPG é um mercado de nicho, e um nicho bem pequeno! Uma tiragem realmente GRANDE de título de RPG é cinco mil livros, e somente livros básicos merecem uma tiragem assim. Esse foi um dos maiores imprecilhos para distribuição de RPG em bancas, pois até pouco tempo atrás a DINAP exigia um número grande de exemplares disponíveis para fazer a distribuição, mas parece que a política deles mudou um pouco.  Agora, vai comparar uma tiragem dessas com Harry Potter, Crepúsculo, ou até mesmo André Vianco.
Recebi um e-mail uma vez de um rapaz que reclamava que nós estavamos "nadando na grana" nos aproveitando dos pobres RPGistas. E ainda tem a história da menina que sem saber que o d3 estava do lado dela soltou que a d3store era de "capitalistas que se aproveitavam da arte do RPG". Já o sujeito que me chamou de psicopata disse que eu me cahava o centro do universo, por ser dono de loja, fazer promoções, eventos e ser professor de tango. Vocês entenderam o que ele quis dizer? Então me expliquem, pois até agora estou boiando.
E sobre dinheiro e RPG... ceeeerto! Porque os grandes jogos, como D&D, Mundo das Trevas, Mutantes e Malfeitores, Reinos de Ferro e até os nacionais Trevas e 3D&T são o que são por serem gratuitos, né?
Sério povo! Vão dormir!
9 – Baseado em seus dados de vendas na D3Store na época, O que o Rpgista brasileiro está jogando? E quais eram os livros mais vendidos?
 D&D domina!
Mas tem muitos que usam o material de D&D para outros jogos. Mundo das Trevas e Mutantes e Malfeitores também têm boa saída, mas o jogador brasileiro é vidrado em cenário de fantasia. Os cenários da Conclave, por motivos estranhos, não saem muito do estado de MG, o que acho realmente uma pena. Teve uma época que eu queria escrever material para um cenário deles, mas não deu certo. E Daemon, por questões particulares do d3, não entrava na loja.
Uma observação: Durante os Desafios D&D que organizei para o EIRPG, chegamos a ter mais de 250 pessoas participando em UM dia, tendo que deixar mais 50 de fora. Agora, sabe por que nunca realizei um Desafio Mundo das Trevas? Porque não conseguia narradores em número suficiente...
10 – Atualmente vemos o cenário rpgistico nacional centralizado nas regiões Sul e Sudeste, você acredita que exista espaço no mercado para material produzido em outras regiões como o Norte e o Nordeste?
 Não há limite geográfico para talento. Os polos sul e sudeste têm grande densidade demográfica e tem a vantagem de possuírem editoras de RPG. Talvez se surgisse uma editora com um bom trabalho no nordeste ou norte isso não fosse diferente? Eu acho ridículos preconceitos do tipo de que só há coisa boa aqui ou acolá. Tem uma boa idéia? Vá atrás das editoras e mostre seu trabalho. As editoras de RPG não se interessaram? Mostre para outras, você pode ser o responsável por introduzi-las em um novo mercado!
Eu soube de pessoas que não se interessaram em mostrar seu trabalho por acharem que aqui em São Paulo já devia estar sobrecarregado de profissionais desta ou daquela área. Pode ser, mas sempre vai haver espaço para o profissional de talento, seja ele de onde for. O que não pode é desanimar. 
11 - Como você vê a blogsfera rpgistica brasileira? Existe espaço para todos divulgarem suas idéias, ou ainda tem que se separar o joio do trigo?
 Tudo depende do que você procura...
A Internet é uma terra sem fim, tem material em quantidade absurda, principalmente se você não tem problemas com o inglês. Eu tenho dezenas de sistemas no meu computador. Mas a qualidade é outro assunto... De qualquer modo, acho válido que tanta gente escreva sobre o assunto. O problema é quando o sujeito quer discorrer sobre um tema que não entende, ou o máximo que sabe é o que leu na wikipedia, ou no ORKUT (MEDO!)
Na época que tínhamos problemas com os crimes imputados ao RPG não tinha semana em que eu não entrava em alguma discussão para esclarecer algum jogador quem tinha ouvido não sei quem falar que sabia de não sei que pessoa que tinha não sabe qual informação sobre um dos crimes... Era incrível o número de desinformações que o pessoal tinha! E sobre "os segredos das editoras" então? Eu lembro de um cara que falava que a Devir tinha recebido uma oferta de UM MILHÃO DE REAIS PELOS DIREITOS DE D&D. E a Devir não teria aceito devido aos interesses das empresas que a Devir representava. O rapaz devia ter sonhado com algum cenário de cyberpunk...
Mas tem muito blog legal por aí, que respeita a inteligência do leitor e faz um trabalho sério. Esses tem que ser valorizados! Vão atrás!
12 - Poucas pessoas sabem, mas você é dançarino e professor de tango. Como você começou na dança e porque o Tango?
 Comecei no tango antes de jogar RPG, aos dezoito anos. Minha família é uruguaia, e temos o tango como herança cultural. Além de gostar de dançar, o tango sempre me atraiu por ser dramático, e ter um pouco de representação nele, principalmente a milonga. Eu danço a vinte anos e já me apresentei em diversos teatros, clubes de dança e casas de espetáculo, mas depois que me separei de mjnha parceira, parei com os espetáculos e fiquei dando aulas ocasionais.
Por causa de meu gosto pela dança já escutei muita gracinha de jogador de RPG, que em geral prefere artes marciais. Algum tempo atrás num recôndito escondido da internet, um cara escreveu pra mim que achava que quem gostava de dançar era apenas viado. Eu respondi que estava muito satisfeito com minha condição de heterossexual, então a firmativa dele era totalmente equivocada. Ele continuou com o assunto e aí eu me enfezei. 
EU - E que arte marcial você pratica?
FULANO - Judô. Treino a cinco anos.
EU - Ok, e quantas vezes você lutou com mulheres?
FULANO - Eu? Nunca!
EU - Certo! Eu danço a vinte anos, e sabe o que é engraçado? NUNCA dancei com homem, só com mulheres! E você passa cinco anos agarrando caras por aí... Interessante, né?
Só para constar, eu treinei durante seis anos Kung Fu.


13 – E como está sendo a experiência de ser pai?
 Atualmente é a melhor época da minha vida. Minha filha esta com dois anos e é uma dádiva dos deuses. Alegre, ativa e simpática, mas um tanto manhosa. Toda minha galera que joga lá em casa todo sábado curte a menina, que já anda pela casa com dados  e livros de RPG, e quer ficar no meio do pessoal durante o jogo. Já tenho fotos dela folheando Mago o Despertar e Star Wars. E dorme abraçada com um dragão cor de rosa maior que ela.
Teve um dia que fiquei abatido por causa de umas bobagens que alguém tinha dito, e o grande mestre Rogério Saladino entrou no meu blog para dizer: "Jaime, você é pai agora! Olha o que você tem!"  E aí eu olhei pra filhota  e tudo passou.
Tem dias em que eu olho nos olhos dela e penso “sim, a magia existe!”.
14 - Quero agradecer a você Jaime por responder as perguntas do RPG Pará, e peço que deixe um recado para os rpgistas paraenses que acompanham os seus trabalhos.
Tem algum???

Sério, eu que agradeço por poder falar algumas coisas que tinha muita vontade. Tem gente conhecida que pensou em me entrevistar e mudou de idéia. Também recebi indicação para ser entrevistado por outro blog, mas a indicação se perdeu... Eu realmente não sou interessante...

Para os RPGistas paraenses, eu digo que mostrem ao resto do país que o Pará existe e esta firme e forte. Poucos anos atrás eu disse para algumas pessoas que o RPG & Cultura, de João Pessoa/PB, seria um grande evento e deram risada, subestimando o evento. Arrependeram-se tempos depois.
Espero que o mesmo aconteça com o Pará. E no que puder ajudar, estou as ordens!

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10 de setembro de 2010

Miniaturas: Bem Mais Perto de Você

1 comentários
Salve povo! Hoje estou trazendo a vocês um entrevista que fiz com o Luiz Felipe, um conterrâneo que tive o prazer de conhecer no Parque da Resiência neste domingo passado.

Ele é um RPGista com uma ousada idéia para expandir ainda mais os horizontes do nosso mui amado hobby em terras Paraenses e, se houverem oportunidades, terras brasilis.

Levante a mão o jogador que tem a maior dificuldade para arranjar miniaturas boas, simples e baratas para serem utilizadas em grande quantidade nas mais épicas batalhas e nos diversos cenários e sistemas de jogos. Pois é, pessoal, eu também me junto a vocês. E foi justamente reconhecendo esta necessidade que uma empresa nova na nossa região está surgindo.

Abaixo repassarei uma entrevista realizada no 5 de setembro de 2010, no Parque da Residência com o Luíz Felipe.

Rodrigo: Olá Luíz. De onde surgiu a idéia de criar uma empresa fabricante de miniaturas?

Luíz: Olá Rodrigo. Sempre gostei muito do nosso hobby, mas era muito difícil jogar algumas partidas que precisavam de um posicionamento estratégico em um campo de batalha com marcadores improvisados. Não dava a mesma ambientação de jogar com miniaturas de verdade. Um belo dia, meu antigo professor de gestão empresarial pediu que nós alunos víssemos uma necessidade qualquer, montássemos uma empresa fictícia, com nome, planejamento, fornecedores, previsão de vendas e um plano de negócios de verdade para apresentar à turma. Realizei meu projeto baseado na minha necessidade de jogador, que não era somente minha de fato. Ao fim do trabalho, senti que realmente a empresa poderia dar certo. Juntei recursos e, por fim, dei início a ela.

Rodrigo: E como você começou a jogar?

Luíz: Comecei a conhecer o hobby com uma matéria que a antiga Dragão Brasil fez sobre como utilizar Pokemons com aquelas fichas de 3det. Era fissurado nesse desenho e me interessei logo de cara. Aprendi 3Det e passei a sentir interesse em outros sistemas mais completos, como storyteller, gurps e Ded. Hoje em dia está um pouco difícil criar novas aventuras pela falta de tempo, mas ainda assim sempre que tenho tempo escrevo alguma coisa.

Rodrigo: Tem algum sistema de jogo favorito?

Luíz: Ded é um sistema muito bom e tem um estilo bem heróico, mas o que mais me interessou foi o sistema do livro “Mutantes e Malfeitores.” Pode-se fazer virtualmente de tudo o que é personagem, humanóide ou não, com a criação de personagens do livro.

Rodrigo: Qual sistema, especificamente, você pretende atingir com as suas miniaturas?

Luíz: Não pretendo especificar as minhas miniaturas dentro de um sistema. Pela forma como serão vendidas, elas poderão ser adaptáveis para qualquer mesa que desejar utilizá-las. E como elas não terão uma imagem nelas, poderão tanto servir apena como marcadores quanto poderão receber a imagem que o jogador desejar colar nelas. Neste sentido, serão bastante versáteis, ficando bem ao gosto do cliente botar nelas o personagem que quiser.

Rodrigo: E de que materiais elas serão feitas?

Luíz: Inicialmente, de papel. Serão parecidas com as miniaturas utilizadas no antigo Hero Quest, com a diferença que agora elas poderão ter a imagem de qualquer personagem que o jogador desejar.

Rodrigo: Você irá participar deste “Dia D” que acontecerá neste fim de semana (dias 11 e 12) na Aldeia Cabano?

Luíz: Ah sim, sim! Acho que já fui para todos os encontros que tiveram na nossa região de RPG e dou o maior incentivo para que fiquem cada vez melhores. Achei muito bom a vez em que o Dia D ocorreu no SESC. Ficou bem organizado, com muitas mesas de jogo e até videoconferência. Quem sabe o próximo não poderia ser no Centur?

Rodrigo: Luíz, as suas miniaturas são para personagens de que tamanho?

Luíz: Por enquanto, estou fazendo os personagens de tamanho humanóide, mas dependendo da saída destas miniaturas, eu pretendo passar a produzir as de tamanho grande e enorme.

Rodrigo: Já tem alguma expectativa de venda?

Luíz: Ainda não. Vou usar o Dia D como um termômetro e avaliar a aceitação das minhas miniaturas pelo mercado lá. Se em um encontro deste tipo eu não conseguir uma boa quantidade vendida, é porque faltou alguma coisa e ainda não foi dessa vez.

Rodrigo: Poderia deixar alguma forma de contato para quem estiver interessado em conhecer melhor o seu trabalho ou adiquirir seus produtos?

Luíz: Claro! Quem quiser pedir miniaturas, mandem email para luiz_felipe1986@hotmail.com ou telefonem para o número 32248113. Peçam para falar com o Luíz ou com a Sra. Márcia.

Rodrigo: Luíz, muito obrigado pela entrevista e lhe desejo muito sucesso na sua empreitada.

Luíz: Obrigado digo eu por esta entrevista e pela força. Espero ver a ti e a todos os leitores do teu Blog lá no “Dia D”!

Rodrigo: Se Deus quiser.
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23 de maio de 2010

Bate-papo agradável com Mestre Nitro no 1º Quero Jogar RPG BH

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A mesa do mestre Newton "Nitro". O grupo e eu com a camisa de Watchmen.


Como reportei anteriormente aqui no blog, em abril deste ano fui à Belo Horizonte para apresentar trabalho num evento de educação e, por uma sorte infinita, minha chegada coincidia com a mesa do Mestre Nitro no 1º Quero Jogar RPG BH e, claro, me inscrevi com mais de um mês de antecedência.

Consegui chegar aos troncos e barrancos ao local, perdido em outra cidade, mas tudo deu certo. Nitro foi bacana em segurar minha vaga por mais uns minutos por eu não saber onde ficava o local e nem mesmo a universidade.

Após a aventura, mesmo estando a 36h (trinta e seis horas) sem dormir, conversei um pouco sobre a trilha dele com o RPG, algo que tinha me chamado a atenção em algum Nitrocast passado. Devo misturar algumas informações, por conta do cansaço do momento, mas vamos lá.

Ele conheceu o RPG em 1986 (que sorte!) nos Estados Unidos ou não lembro se por algum material publicado no Brasil. Lá jogou as primeiras edições do Dungeons e Dragons e conheceu Gurps, mas alegou o valor elevado para poder comprar.

Sua volta ao Brasil coincidiu com a publicação da primeira edição de Gurps da Devir e então foi uma grande sorte.

Ao fim de seus anos na escola, passava horas criando dungeons para AD&D sem o menor sentido (ecossitemicamente falando) ao melhor estilo escolavéia e assim ele e seus amigos divertiam-se bastante, que é o objetivo de qualquer partida de RPG como sempre argumento!

Com Gurps traduzido ele lembrou que jogavam TODOS OS DIAS por algum tempo, até o momento que precisaram descansar do sistema.

Ele também escreveu matérias para a revista Dragão Brasil, para o suplemento d20Saga e lembro que percebi seu nome nas ótimas tiras digitais de Tosconia publicadas no portal RedeRPG.

É um cara agradável para conversar e bastante acessível, além de um mestre muito doido e com interpretações absurdas e divertidíssimas, mas que leva o jogo de forma fluente e responsável.

Gilson
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7 de abril de 2010

Nós Contamos com Você!

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Salve povo! Gostaria de fazer uma convocação a todo(a)s o(a)s RPGistas residentes no Estado do Pará ou RPGistas paraenses resisdentes fora do estado. Convoco todos vocês a participar de nossos quadros interativos, nos ajudando a promover o RPG no Estado do Pará.

Hoje o RPG Pará conta com três quadros que promove interatividade com os RPGistas. Eles são o "Perfil do RPGista", o "O Que Vocês Estão Jogando?" e o "Colaborador Eventual do RPG Pará".

Cada um deles tem como principal objetivo mostrar ao mundo, e principalmente ao mercado local quem nós somos, quantos nós somos, quais são nossos gostos e o quais são nossos desejos em torno desse lazer chamado RPG, que tem ao mesmo tempo o poder de promover conhecimento, de socializar pessoas e de ajudar a combater a timidez.

Tenho certeza que muitos de nós, se não for todos, nutri o desejo de que o Mercado do RPG se desenvolva em nosso estado e consequentemente nos oferte mercadorias, encontros, jogos, projetos e qualquer evento que nos possibilite de usufruir do prazer de jogar RPG.

Mas para que o Mercado possa arriscar seu capital abrindo espaços para a prática do RPG em todas as suas formas eles precisam enchergar que esse é um negócio que pode ser rentável para eles. Ai é o que pergunto a todos vocês: como é que o Mercado vai conseguir nos enchergar?

Eu adianto minha resposta! Vamos mostrar ao mundo que existimos e mostrar quais são nossos desejos e tendências. E três formas que o RPG Pará encontrou para ajudar nesse processo são os quadros "Perfil do RPGista", "O Que Vocês Estão Jogando?" e "Colaborador Eventual do RPG Pará".

Portanto, refaço a convocação que fiz no início desse texto, a todo(a)s o(a)s RPGistas residentes no Estado do Pará ou RPGistas paraenses resisdentes fora do estado. Convoco todos vocês a participar de nossos quadros interativos, nos ajudando a promover o RPG no Estado do Pará. Nos ajudando na busca pelo RPG perdido.
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31 de março de 2010

O que vocês estão jogando? Grupo: C7L

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Salve povo! Hoje é dia de "O que vocês estão jogando?".

Através de 5 perguntas bem simples, o grupo entrevistado irá nos responder a pergunta:

O QUE VOCÊS ESTÃO JOGANDO?



1) Quem é o mestre e quem são os jogadores? Quais suas idades?

O mestre é o Mike Wevanne, 26 anos. Atualmente os jogadores são Paulo Esber (21 anos),
Raphael Oliveira (22 anos) e Glauber Lopes (25 anos). Já passaram por nossas fileiras: Allan Fernandes, Ilma Kimie Nakamura, John Bogea. Novos jogadores que estão entrando no grupo: nosso amigo "Perna" e a Thais.

2) Onde vocês estão jogando?

No apartamento do Raphael. A idéia era jogar no Parque da Residência, mas sabe como é...
tempo de chuvas, falta de comodidade...


3) Qual jogo vocês estão jogando?

D&D, usando o cenário de campanha "Crônicas da Sétima Lua", da editora Conclave.

4) Quais são os personagens dos jogadores?

Os atuais personagens são: Sarya Quesaril (Eladrin maga, jogador Raphael), Judas
Marrah (Tiefling paladino, jogador Paulo) e Khan Darrak (Anão ladino, jogador Glauber). Na primeira aventura houve a participaçao de Aramil Tinuviel (Eladrin senhora da
guerra, jogador Allan), Barrabaz (Humano clérigo, jogador John) e Mialee (Elfa
patrulheira, jogadora Ilma). Os próximos que irão ingressar no grupo serão o Sckhar Shanttallas (Draconato senhora da guerra, jogador "Perna") e uma Tiefling bruxa do pacto infernal (jogadora Thais).

5) Onde se passa a aventura?

Isaldar é a sétima lua de Elaria. Quando o mundo foi devastado por uma poderosa
entidade, denominada simplesmente de "Aniquilação", os deuses teleportaram os povos mortais para a sétima lua e selaram a Aniquilação no planeta, sucumbindo em seguida. Os Orcs, nativos de Isaldar, tiveram seus grandes reinos destruidos quando as raças de
Elaria "surgiram" sobre seus domínios. A queda dos deuses na sétima lua devastou o maior
destes reinos tornando-o na desolação conhecida como "a ferida". Destes eventos surgiram os Luminares. Seres dotados de grande poder divino que alguns acreditam tratar-se de divindades em ascensão, e o metal divino, principal elemento usado na tecnomagia, mistura
de ciência e magia, criada pelos humanos do império Melkhar, o mais poderoso reino do
continente de Aldar.

A primeira aventura ocorreu entre a cidade de Santuario, nos principados brilhantes
(conhecida pela forte presença de Luminares), e Onires, a grande floresta, lar
dos elfos e das poderosas coortes feericas. Atualmente estamos rolando a aventura oficial do cenário "O Mapa Aldariano", onde os aventureiros seguem as informações contidas num mapa feito por um estudioso meio elfo que indica a localização de uma sessão secreta nas ruinas conhecidas como "O Templo dos Deuses Essquecidos", aos pés das montanhas do fogo eterno.
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ATENÇÃO!!!
Estamos procurando por grupos de RPGistas Paraenses (residentes ou não no estado) ou grupos de outros estados ou nações, residentes no Estado do Pará, que estejam em atividade e queiram participar do quadro "O que vocês estão jogando?". Para participar basta enviar um e-mail para rpgpara@hotmail.com com as respostas das 5 perguntas frequentemente usadas nas entrevistas e anexar uma foto do grupo.
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3 de março de 2010

Entrevista - Maria do Carmo Zanini

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Mc Zanini e a pequena Raissa
Olá a todos.
Hoje o RPG Pará traz para vocês uma entrevista com Maria do Carmo Zanini, Editora do Mundo das Trevas Storytelling.
Muito solicita em responder as questões, Maria do Carmo fala como começou seu trabalho na Devir, da polêmica sobre as traduções de termos dos cenários e dos futuros lançamentos...
Vamos as perguntas então:

1. Maria do Carmo, fale um pouco sobre o seu trabalho dentro da Devir, e como você se tornou a editora do Mundo das Trevas Storytelling?

Meu trabalho aqui é, em poucas palavras, cuidar de quase tudo que diz respeito à linha Mundo das Trevas Storytelling. Seleciono os títulos que serão publicados em português; levanto a terminologia específica do jogo/cenário; preparo esse primeiro glossário com os termos; dou as diretrizes para a tradução; seleciono os tradutores ou, muitas vezes, traduzo os livros eu mesma; seleciono os preparadores e/ou revisores de tradução, ou cuido disso eu mesma, quando não sou eu a tradutora; acompanho a diagramação; cuido para que o projeto gráfico seja seguido à risca, na medida do possível; seleciono os revisores de provas; supervisiono as emendas de uma prova para outra; "fecho" o livro para a gráfica; redijo os releases para a imprensa, internet e também para o departamento de vendas; mantenho contato com a White Wolf (CCP North America) para obter aprovação para todas as obras da linha e o material de divulgação relacionado, e às vezes também supervisiono a criação de material de divulgação e organizo certas ações, como os dois concursos culturais que realizamos em 2008 e 2009.

Cheguei ao cargo de editora depois de uma longa história de colaboração com a Devir Livraria, como promotora em eventos (leia-se: narrando sessões de RPG), depois tradutora/revisora de tradução, até que, imagino, ganhei experiência suficiente aos olhos de um dos nossos publishers, Douglas Quinta Reis, para que ele me arrancasse da Martins Editora e Livraria, onde eu fazia parte do departamento editorial, e me colocasse aqui onde estou. Por que o Mundo das Trevas Storytelling? Talvez porque eu tivesse o perfil adequado e a experiência necessária para cuidar da linha de RPG de produção mais complicada da editora, com seus textos literários e requintados, citações que vão desde W. B. Yeats a Fernando Pessoa, projetos gráficos exuberantes e de soluções difíceis etc.

Acho que vale a pena destacar que eu acabei me tornando uma profissional do livro por causa dos RPGs. Quando comecei a traduzir para a Devir em 2000, eu só queria complementar meu salário de professora de inglês e tenho certeza de que, nessa época, eu era só mais uma jogadora-fã com bons conhecimentos da língua inglesa, um certo domínio da norma culta do idioma pátrio e um tiquinho de bom senso. Aí descobri que traduzir era um grande prazer para mim e resolvi investir nisso como profissão. Para chegar aonde cheguei, devo muita coisa a muita gente boa, desde os docentes do departamento de Letras da FFLCH-USP, até Douglas Quinta Reis, da Devir Livraria, com quem aprendi bastante, passando também pelo já citado editorial da Martins que, nos oito meses que trabalhei lá, era formado por profissionais de uma competência incrível.

2. Com o iminente lançamento de Mago: O Despertar, já temos 9 produtos (7 livros e 2 escudos) da linha Mundo das Trevas Storytelling traduzidos, nos fale um pouco como foi trabalhar em cada um deles? E qual é o seu preferido?

Todo livro da linha Mundo das Trevas Storytelling no qual começo a trabalhar é um prazer renovado. Quando traduzi o Livro de regras do Mundo das Trevas, Antagonistas e Vampiro: o Réquiem (e, nessa época, eu era só uma tradutora free-lance), a emoção maior, e também a responsabilidade, foi criar toda essa terminologia em português, que seria usada por centenas ou milhares de jogadores Brasil afora. Eu já tinha feito algo parecido antes, quando traduzi O Senhor dos Anéis RPG, mas os jogos da White Wolf têm um atrativo único que muda toda a experiência. A complexidade do texto é um desafio constante (consultas a cinco ou mais dicionários, por exemplo), e os desafios me estimulam bastante.
E cada livro traz uma surpresa ou um problema diferente: em Os ritos do dragão, achei idéias interessantíssimas sobre a essência do vampiro e o texto da tradutora Cleo Carrero era uma delícia; Lobisomem: os Destituídos foi o livro mais difícil que já produzi, em termos de projeto gráfico, e a reformulação da ideia de lobisomem como personagem central de um RPG me deixou boquiaberta; em Lugares misteriosos, a ideia do mini-cenário "O quarto vazio" me tira o sono até hoje, no bom sentido.

É difícil escolher um preferido, porque a qualidade de todos eles até mesmo como simples material de leitura (OK, excetuando-se os escudos) é impressionante. Geralmente, o preferido é aquele no qual estou trabalhando no momento. Terminei Mago há pouco e, portanto, eu diria que ele é meu preferido agora, mas já começa a perder o posto para Changeling. Curto muito Lobisomem como jogo, porque sou fã de sessões em que os jogadores cooperam, e a alcatéia exige isso. E Vampiro é uma análise sensacional da condição humana e também de sua política e religiosidade; adoro ler tudo que a White Wolf produz sobre Vampiro: o Réquiem.

3. E falando nas traduções, o que você pode falar sobre as reclamações, algumas até exageradas, feitas por alguns fãs do Mundo das Trevas Storytelling quanto a tradução de alguns termos os livros básicos?

(Atenção: resposta longa, muito longa a caminho.)

O que posso dizer é que eu acho que entendo os motivos de tantas críticas, mas não posso concordar com um grande número delas, principalmente quando parecem exageradas e, em alguns casos até mesmo descabidas, do ponto de vista da tradução profissional.

Eu sei que cometo erros. Se não cometesse, não seria humana. Mas há uma diferença entre erro de tradução e divergência de opiniões quanto a opções de tradução.

Acho que as críticas descabidas aparecem por dois motivos principais:

1. Como os jogos levam algum tempo para sair em português, as pessoas vão usando os termos específicos em inglês ou traduzindo-os da maneira que acharem melhor. Não há nada de errado nisso. Aí o ouvido se acostuma com certas coisas e, mais tarde, quando a edição nacional é publicada, qualquer coisa que seja diferente daquilo com que o ouvido se acostumou vai soar estranha, independentemente da qualidade da tradução. É uma luta inglória e perdida já de saída para o tradutor, porque é impossível agradar todos que têm uma solução predileta para este ou aquele termo de jogo. E MUITA gente tem suas predileções.

2. Minha segunda hipótese não é fácil de resumir em poucas palavras e pede algumas explicações. Mas, em resumo, seria algo como: os jogadores se acostumaram a fazer críticas fortes às publicações nacionais de RPG porque essa produção teve maus momentos e, agora, a desconfiança em relação a essa produção é tão grande que algumas pessoas talvez procurem avidamente coisas para criticar, correndo aí o risco de criticar sem fundamentos.

Agora, a explicação:

Eu publiquei uma série de pequenos artigos encadeados no blog AtsumiRPG comentando que a produção nacional de RPG (seja de material original ou traduzido sob licença) precisava sair da fase heróica (ou seja, feita na raça e na coragem pelos fãs) e se profissionalizar. Essa fase heróica durou muito tempo aqui no Brasil, e a ela devemos muita coisa boa, mas também herdamos dela certas tradições na tradução informal dos termos que, numa fase que tende à profissionalização, precisam ser necessariamente revistas. Exemplos: "rolar os dados" (a língua portuguesa já prevê "jogar ou lançar os dados" e o anglicismo é desnecessário) ou "camisão de cota de malha" ("cota" não descreve o material e já indica uma "camisa" e, portanto, o mais adequado talvez fosse "camisão de malha").

Uma das heranças da fase heróica é o que eu chamo de "gurpsização" e simplificação da tradução. As pessoas envolvidas na produção dos livros da fase heróica eram fãs bem-intencionados que sabiam alguma coisa de inglês, mas não tinham a preocupação, por exemplo, de adequar o tom do texto traduzido ao tom do original. E, como GURPS foi um dos primeiros manuais traduzidos para o português e formou mais de uma geração de Rpgistas, parece que o tom técnico e a linguagem simples de GURPS acabaram dando o tom de várias outras traduções. Um exemplo: "Thieving Talons of the Magpie", algo como "as garras ladinas da gralha" era o nome de um Dom de Lobisomem: o Apocalipse. Havia, no original, certo lirismo. Mas esse Dom ficou conhecido em português como "Roubar Poderes": técnico, simples e direto, nada lírico.

A questão aí é que a principal preocupação do TRADUTOR tem de ser a fidelidade ao espírito do texto original. Simplificar ou "gurpsizar" o texto pode ter sido uma estratégia válida na fase heróica do RPG aqui no Brasil, mas, quando a profissionalização entra em cena, a simplificação -- imaginando, talvez, um leitor medíocre ou analfabeto funcional -- presta um desserviço à obra original e também ao leitor. Isso não é traduzir, é ADAPTAR. As publicações originais do Mundo das Trevas sem dúvida conversam com um leitor culto e de vocabulário bastante amplo. A função do tradutor profissional é tentar reproduzir esse diálogo em português. E, com isso, não quero dizer que procuramos excluir deliberadamente os leitores que, por uma série de motivos socioeconômicos, não têm acesso a essa cultura ou a determinado vocabulário. Acho que é totalmente possível o texto requintado do Mundo das Trevas estimular os jogadores a ampliar seus horizontes culturais. Sei disso por experiência própria: eu estudei em escolas públicas a maior parte da minha vida, inclusive no curso superior, e meus pais nunca passaram do ensino fundamental. Isso nunca me impediu de aprender com tudo que li na vida, sem dispensar a consulta a dicionários e enciclopédias (e, hoje em dia, a internet).

Creio que, para os leitores acostumados à "gurpsização", a mudança de ponto de vista na linha nacional do Mundo das Trevas Storytelling deve ter sido mesmo um choque.

Por outro lado, muitos leitores criticavam, com razão, a produção da fase heroica por uma série de erros crassos de tradução. Não estou falando de divergências de opinião quanto a certas opções, como "Andarilhos do Asfalto" para "Glass Walkers", que muita gente critica, mas eu sempre achei brilhante, porque adapta a ideia à realidade brasileira, onde a urbanidade é definida pela presença do asfalto, e não dos grandes arranha-céus de vidro, como nos Estados Unidos. Estou falando de coisas como "gibbous moon" ter virado "lua minguante", quando o termo diz respeito à lua quase cheia. Estou falando de "eventualmente ele quebrou o braço", em vez de "ele acabou quebrando o braço", e coisas do gênero. Acho perfeitamente natural que, diante de tantos exemplos desabonadores, o público desenvolvesse uma desconfiança em relação aos manuais de RPG publicados no Brasil. Mas o que tem acontecido é que essa desconfiança tem se estendido a traduções corretas, mas, digamos assim, não exatamente óbvias, como é o caso da polêmica recente por causa do Arcano da Sorte em Mago: o Despertar. A sorte, em português, apesar de não ser, a princípio, nem boa nem má -- é simplesmente o destino, a sina, a estrela etc. --, acaba sendo sinonimizada exclusivamente à boa sorte por muitas pessoas, e talvez esteja aí a raiz da polêmica que, do meu ponto de vista, nem era necessária.

4. Depois do nascimento de sua filha e do fim de sua licença-maternidade, você retomou os trabalhos na tradução de Mago: O Despertar, e está agora trabalhando na tradução do Cidade dos Amaldiçoados: Nova Orleans e no Changeling: The Lost, e Fabio Sooner está traduzindo o Second Sight, como se deu a escolha destes livro para a tradução? E quais as chances dos três últimos serem lançados ainda em 2010?

Depois da licença, eu retomei a produção de Mago: o Despertar, porque em março de 2008, quando me retirei, o livro já estava todo traduzido. Com isso, vocês podem fazer uma ideia de como a produção dos livros básicos do Mundo das Trevas Storytelling é complicada.

Respondendo à pergunta, optei por A cidade dos Amaldiçoados: Nova Orleans, que é um cenário pronto e bem acabado para Vampiro: o Réquiem, porque preciso ter nas livrarias algum material que ajude a formação de novos Narradores de Storytelling. Você está começando agora e não sabe muito bem como montar uma crônica? Taí um cenário pronto e um zilhão de boas ideias para você e seus amigos. Changeling: the Lost (o título provisório aqui no Brasil é Changeling: os Perdidos) é o jogo do Mundo das Trevas que mais me impressionou até agora por seu potencial para o horror e foi um grande sucesso lá fora. É uma aposta segura, em minha opinião.
Second Sight (ainda sem título) é um dos poucos suplementos de MdT que tem atrativos para os jogadores, e não só utilidade para os Narradores. Poderes psíquicos e magia não-Desperta para personagens mortais? Eu quero!

O plano é lançar os três títulos em 2010. Eu vou fazer o possível para isso acontecer, mas, como mais de uma vez vi meus planos frustados ou adiados pelo imponderável (como o nascimento da minha filha em 2009), prometer fazer o possível é só o que eu posso fazer. Eu prometi fazer o possível em 2008 e acabei lançando cinco produtos novos e mais os roteiros introdutórios gratuitos de Vampiro e Lobisomem.

5. Além destes 3, quais são os próximos, ou pelo menos aqueles que você tem em mente para serem traduzidos?

Vou ser sucinta, só para contrariar (*risos*): Armory (Arsenal), livros de coalizão de Vampiro: o Réquiem e Hunter: the Vigil. São apenas exemplos do que tenho em mente e nenhum deles deve sair em 2010.

6. Algum tempo atrás foi dito que o livro Promethean: The Created não seria traduzido. Existe mais algum livro sem chance de ter uma tradução?

Eu disse que Promethean: the Created talvez não fosse uma boa aposta para o mercado nacional, principalmente naquele momento que vivíamos quando fiz essa declaração. Isso pode mudar. Não estou dizendo que vai, mas pode mudar. (E o Fábio Sooner me apresentou argumentos muito bons para, talvez, repensar essa questão.) Acho que vários suplementos da linha não têm muitas possibilidades por aqui, simplesmente porque os jogadores brasileiros pouco se interessam por eles e, em decorrência disso, o mercado não os absorve. Exemplos: The Blood, a maioria dos suplementos de Lobisomem: os Destituídos (porque o livro básico é bem completo), Chronicler's Guide. Outros, como Damnation City, talvez sejam impraticáveis por causa do tamanho e do custo e por se dedicarem quase exclusivamente a Narradores, que formam aí a menor fatia do público consumidor.

7 - A Devir estaria interessada em organizar algum tipo de evento periódico para o Mundo das Trevas Storytelling, com campanhas prontas, tal como a RPGA, para promover melhor o novo Mundo das Trevas, já que em outras regiões, tomando como exemplo o Estado do Pará, o antigo Mundo das Trevas ainda possui muita força e muitos fãs, que de uma maneira ou de outra se negam a conhecer o novo cenário?

Eu adoraria ver isso acontecer. Acho uma pena que o ramo internacional da Camarilla se concentre exclusivamente nos fãs de live-action. O modelo da RPGA me parece muito mais interessante para o RPG "de mesa". Obviamente, seria necessário criar um modelo de clubes de RPG que se adequasse ao Mundo das Trevas Stortytelling. Esse é um sonho que acalento desde que assumi a linha e cheguei a falar disso em pelo menos duas reuniões de trabalho aqui na Devir, mas não creio que a editora tenha condições de organizar algo assim: faltam os recursos humanos necessários.
A Camarilla e a RPGA têm o apoio das respectivas editoras norte-americanas, mas ainda são essencialmente organizadas e dirigidas pelos fãs.

Agora, se os fãs criassem esse(s) clube(s), acho que a Devir poderia estudar maneiras de colaborar com brindes exclusivos, publicação de material de qualidade produzido pelos fãs (e membros dos clubes) etc. Obviamente, essa colaboração dependeria da aprovação da White Wolf.

8. Você também traduziu alguns livros do Mundo das Trevas Storyteller, pode nos falar as suas impressões pessoais sobre cada um dos cenários?

Nossa, faz tanto tempo. Vou falar daqueles que mais me marcaram: Múmia: a Ressurreição, Demônio: a Queda e a edição revisada de Lobisomem: o Apocalipse.

Múmia foi o segundo livro que traduzi e me proporcionou uma experiência de aprendizado muito boa. Gosto da temática do jogo de que a redenção é possível no Mundo das Trevas, mesmo para monstros antigos. É uma mudança de ares interessante. Do ponto de vista profissional, Múmia foi importantíssimo para mim. Depois da preparação, quando vi a quantidade de alterações que introduziram no texto que eu tinha traduzido com tanto carinho, percebi que um bom tradutor não pode ter só noções da língua, bom senso e boa intenção. Foi com esse livro, e com os problemas apontados pela preparadora, que eu dei meu primeiro passo para aprender a traduzir profissionalmente.

Demônio: a Queda é uma delícia de livro, desde que se tenha a mente aberta para essas coisas que lidam com o imaginário judaico-cristão. Adorei o fato de personagens "em on" narrarem vários capítulos, amei o fato de as grandes diferenças entre os demônios serem de caráter filosófico-ideológico.

A edição revisada de Lobisomem: o Apocalipse foi um desafio enorme. Acho que foi o primeiro grande contato que tive com os legados da fase heroica do RPG nacional, o que me obrigou a repensar várias coisas e procurar soluções para vários problemas. Um deles foi o esforço para colocar alguma ordem na confusão que era a terminologia de Lobisomem. Havia termos em inglês que correspondiam a três ou mais traduções diferentes em português. O apêndice dessa edição, com a megatabela de padronização, foi resultado desse esforço. Com Lobisomem: o Apocalipse, eu comecei a aprender algumas coisas sobre a função de editor.

9 - Para os RPGistas que, com conhecimento da língua inglesa, desejem conquistar um espaço na equipe de tradução do Mundo das Trevas. O que você recomendaria a ser feito?

Para começar, não basta conhecer a língua inglesa. É preciso também ser poliglota em português, ou seja, é preciso dominar as diversas normas do idioma: a culta, a coloquial, a vulgar etc. Também é preciso ter alguma prática na tradução de textos literários, porque a ênfase das publicações do Mundo das Trevas nesse tipo de coisa é bem grande. Conhecer o sistema de regras e a terminologia em português também é importante. Quem quiser se candidatar é só escrever para mdtrevas@devir.com.br. Eu mandarei os testes de tradução para os interessados.

10. Quero agradecer a você Maria do Carmo pelas respostas e pedir que deixe um recado para os RPGistas e fãs do Mundo das Trevas Storytelling do Pará e do Brasil!

Eu é que agradeço pelo convite do RPG Pará! As perguntas foram bem interessantes. Foi um prazer respondê-las.

Antes de qualquer coisa, quero dizer que é muito bom ter notícias de RPGistas e fãs do Mundo das Trevas fora do nosso limitado eixo Rio-São Paulo. E fico imaginando como seria Belém ou Altamira envolta em trevas.

O RPG como hobby depende muito de seus fãs para sobreviver, porque são os fãs que formam a nova geração, que vai manter viva essa ideia de compartilhar histórias em volta da mesa, seja forrada de pedaços de pizza ou bolachinhas de castanha-do-pará com doce de cupuaçu. Peço, mais como RPGista do que como editora, que quem quiser e puder ajude a divulgar o hobby, a formar novos jogadores e narradores. Eu espero que o Mundo das Trevas Storytelling ainda cative muita gente que está enveredando agora pelos RPGs de horror, e espero que ele seja uma grata surpresa para os Narradores e jogadores do Storyteller que escalaram altas montanhas com suas crônicas e agora estão atrás de novos desafios num cenário/sistema diferente, mas estranhamente familiar.

Incendite Tenebras Mundi,

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17 de fevereiro de 2010

Projeto Fórmula 1 RPG 3D&T

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Salve povo! Hoje estou trazendo a vocês uma entrevista simples mas não menos importante e interessante.

Eu tive a oportunidade de conversar com o Bruno "Chuva Vermelha", do Blog do Chuva, sobre sua paixão e seu trabalho de adaptação das competições automobilísticas da Fórmula 1 para às mesas de RPG. Vamos à entrevista!


1) É muito bom saber que existem muitas outras formas de se jogar RPG além do tradicional, e como exemplo estamos acompanhando o seu projeto Fórmula 1 RPG 3D&T no Blog do Chuva. Quais foram suas motivações?

Como viciado que sou em RPG e Formula 1, até demorei para pensar em unir as duas coisas, até porque descobri o RPG por causa da F1, em 1994 (ano que comecei a jogar) quando o Ayrton Senna morreu, busquei diversões alternativas para as manhãs de domingo e fui jogar RPG com um amigo.

2) Por que o uso do sistema 3D&T para embasar o seu projeto?

Já tinha feito uma Versão do F1 RPG para o Sistema D20 que foi utilizado em um RPG chamado PowersCars, um RPG feito pela Fundação Volskwagen e pela editora Manticora, mas este jogo não foi vendido comercialmente e pouca pessoas o conheciam.

Escolhi o 3D&T pela sua facilidade e pelo fato de ser um dos sistemas mais jogados do Brasil e somado ao fato dele ser generico, faz com que as regras possam ser usadas para qualquer tipo de jogo que envolvam carros. Com poucas modificações, eu mesmo estou fazendo uma versão para corridas de rua na linha de Velozes e Furiosos.

3) Você pretende criar livros em PDF com o seu material e colocá-los a disposição do público?

Pretendo sim, mas isso será um processo demorado pois esbarra em um pequeno problema: não tenho computador em casa, faço as atualizações do blog em uma Lan-House, e isso torna o trabalho um pouco lento.

4) Podemos esperar mesas ou até um projeto jogo com os RPGistas da região?

Com certeza, até porque ainda não fiz um playteste final, e gostaria sim de criar um projeto da temporada deste ano, com os jogos acontecendo no domingo da corrida.

5) Você gostaria de receber alguma ajuda ou apoio ao seu projeto Fórmula 1 RPG 3D&T? Caso sim, como os interessados poderiam entrar em contato?

Se alguem pudesse fazer o PDF já ficaria agradecido. Se alguem topar é só entrar em contato comigo no e-mail chuvavermelha@gmail.com ou pelo Blog do Chuva. E gostaria tambem de pedir para aqueles que acompanham as materias no blog que deixem seus comentarios e seus "achismos".

6) Você gostaria de adicionar mais alguma informação à entrevista?

Gostaria de agradecer ao Rodrigo e ao RPG Pará pelo espaço e se alguem estiver interessado em disputar corridas é só aparecer no Parque da Residencia nas tardes de Domingo.
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