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9 de fevereiro de 2012

Novidades da White Wolf, por Eddy Webb

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Salve povo!


Ontem, no White Wolf Blogs, Eddy Webb, escritor e game dsigner da White Wolf, publicou um conjunto de novidades bem interessantes para a turma fã de Mundo das Trevas.


Eu estou tomando a liberdade para colocar aqui pra vocês algumas que julguei serem as mais interessantes e logo em seguida alguns comentários e informações sobre o item traduzido.

  • "Mummy (Múmia) está ficando realmente muito bom, de acordo com Colin. Os escritores estão muito excitados sobre isso" - ele está falando sobre a nova versão de Múmia para o Novo Mundo das Trevas, previsto para agosto de 2012;
  • "O layout para o Werewolf Translation Guide (Lobisomens: Manual de Conversão) está seguindo em frente" - o manual estava previsto para fevereiro deste ano. Naturalmente o prazo previsto foi quebrado;
  • "Eu peguei as edições de Victorian Lost mais cedo. Eu vou tentar olhá-los durante a semana" - Victorian Lost é um suplemento para Changeling: Os Perdidos que trará conselhos e material sobre crônicas ambientalizadas na Inglaterra Vitoriana. Está previsto para março de 2012;
  • "Estou também avaliando o layout de Geist 1.1 junto com Ethan, Genevieve e Rich" - eles estão preparando uma nova edição de Geist, corrigindo alguns erros e arrumando algumas coisas que foram publicadas na primeira edição;
  • "Lobisomem 20 Anos está seguindo em frente, e eu tive um pouco mais de progresso na seção que estou escrevendo para Ethan. Desde o momento em que algumas pessoas perguntaram, pré-vendas ainda não estão disponíveis para o livro. Nós iremos informá-los quando estiver disponível" - o Werewolf: The Apocalypse 20th Anniversay Edition está previsto para o outono de 2012;
  • "Rich está compilando alguns esboços de arte de Steve Prescott para o W20" - quem quiser conferir algumas das artes já produzidas por Steve, confirma em Rottface.com.
Quem quiser conferir o texto original e outras novidades publicadas por Eddy Webb, confiram em Pull In Case of Emergency.

Quem quiser conferir a lista de lançamentos da White Wolf para este ano, confiram em White Wolf Release Schedule 2011-2012.

Obs: essa foi uma tradução amadora, mas espero que sirva ao objetivo de informar nossos leitores.
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10 de janeiro de 2012

Vampiro: A Máscara, Edição Comemorativa de 20 Anos Novamente Disponível para Formato Impresso

5 comentários
Salve galera!

Recebi ontem um e-mail circular da White Wolf informando que eles estão recolocando para venda em formato impresso o Vampire: The Masquerade 20th Anniversary Edition (Vampiro: A Máscara, Edição Comemorativa de 20 Anos).

"Vampiro: A Máscara estourou no hobby de jogos em 1991 e inspirou uma geração de fãs os quais a indústria de jogos nunca havia visto antes. A significativa cultura vampiresca deixou não apenas um cenário mundial de jogo, mas um moderno relato da cultura pop de vampiros pode ser visto e sentido virtualmente a cada virada e em cada conteudo dos dias atuais. Vampiro: A Máscara - Edição Comemorativa de 20 Anos traz toda a experiência do Clássico Mundo das Trevas e servirá como um perfeito marco comemorativo para celebrar duas décadas de jogos de terror e horror. Esse é a Máscara original em toda sua glória e é o nosso jeito de agradecer a todos e acolhê-los.

  • Todos os 13 Clãs originais, novos Clãs e linhagens, com suas exclusivas Disciplinas;
  • Clássicas regras adaptadas para uma Edição revisada de Vampiro;
  • Criação e desenvolvimento de persoangens desde o Neófito ao Matusalém;
  • Todas as disciplinas do primeiro ao novo nível;
  • Adaptação do cenário para as noites modernas;
  • Nova e colorida arte original por Tim Bradstreet e outros clássicos artistas de a Máscara."
Obs: essa foi uma tradução amadora, mas espero que sirva ao objetivo de informar nossos leitores.

Para essa nova impressão do livro, a White Wolf está disponibilizando três formatos:
  • Capa mole e em preto e branco - US$ 44,99;
  • Capa dura e em preto e branco -  US$ 54,99;
  • Capa dura e colorida, dividido em dois volumes - US$ 79,99.
Para quem ainda não tinha adquirido o V20, chegou o momento de pegar o seu. Quem estiver interessado, é só acessar o link do Drive Thru RPG a seguir: Vampire: The Masquerade 20th Anniversary Edition.

IMPORTANTE: só para lembrar aos desavisados que o livro é em inglês.


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14 de dezembro de 2011

Reflexões no Espelho

5 comentários
Autor: Elves Cunha


Recentemente iniciei uma história de Mago: O Despertar para o meu grupo atual, aproveitando que eu nunca havia testado o cenário, e percebi uma coisa muito interessante.

Todos nós jogamos a mais ou menos 2 ou 3 anos, começando quando tive coragem de mestrar Vampiro na primeira vez. Nossas partidas eram extremamente divertidas, porque somos todos amigos e eles tem uma tendência mais do que a monstra para barulho e avacalhação.


No início eu me irritava muito, pois eles não respeitavam os temas do jogo e nem os conceitos dos próprios personagens, além de sempre brincarem com qualquer situação, muitas vezes detonando o clima de terror que eu tentava criar, matando uns aos outros com suas disciplinas e explodindo bares quando alguém olhava feio pra alguém do grupo.

Mas claro que eu tentei corrigir isso, fazendo como os livros explicam. Muitas vezes foram forçados a pagarem seus erros com castigos por parte da corte do Príncipe, mas sempre davam um jeito de burlar a história e se dar bem. Cheguei a ameaçar de morte e um julgamento foi necessário para que eles percebessem que estavam fazendo besteiras. E mesmo assim ainda conseguiram convencer uma parcela dos membros anarquistas da cidade sobre a tirania do atual regime com uma série de acontecimentos mentirosos misturados a uns poucos que eu deixei escapar. Percebi que eles jogavam bem sob pressão e o jogo fluía melhor assim. Deixei que unissem forças com muita gente que não prestava e começarem uma guerra civil na cidade, eliminando o coitado do príncipe e colocando um ancião anarquista louco no lugar. Era uma coisa caótica assim misturada a muitas risadas e piadas. Teve até uma história onde o Teatro Da Paz foi incendiado.

Com o tempo comecei a testar RPG’s mais simples pra confusão mesmo, como o 3D&T e outros RPG’s “farofa” que eu fazia, mas o incrível é que eles sempre queriam jogar Mundo das Trevas de novo e outros sistemas mais complicados como D20, apenas para novamente fazer uma super baderna. Então, em um belo dia, mandei tudo pro ar e resolvi entrar na sacanagem também, mostrando coisas cada vez mais psicodélicas nas minhas narrações e altas situações sexuais embaraçosas que eles deveriam enfrentar além dos antagonistas normais. Foi uma boa época.

Quando o Mago começou eu tinha a intenção de fazer uma história digna de um Mundo das Trevas, mas a primeira sessão também foi meio desfocada. Então tive uma surpresa. No fim da sessão eles pediram para que eu segurasse mais o grupo e não brincasse mais do que eles, fazendo um jogo sério de verdade. Esse pedido fez meu céu brilhar, comecei a pesquisar varias coisas esquisitas e me aprofundei nas regras de Mago para dar uma boa experiência de terror e magia para eles.


A coisa que eu mais gostei em Mago: O Despertar (na verdade eu gostei de tudo, é um dos melhores RPG’s na minha opinião) foi o sistema de paradoxo, que é costurado com o sistema mágico, fazendo os jogadores pagarem caro pelo poder que usam. Não importava o quanto eles são poderosos ou se podem fazer tudo que imaginarem se existir uma força que suga tudo isso e transforma em algo aterrorizante o suficiente para que tenham medo de usar magia. Isso sim é pressão meus amigos e foi tiro e queda.

Na sessão seguinte, eles detonaram uma pessoa amaldiçoada que precisava de ajuda, levando com ela varias pistas sobre quem a tinha infectado, ignoraram todos os “calafrios sentido aranha de magos” e abusaram de magia além de falarem o nome verdadeiro de um componente do grupo a torto e a direita. As consequências geraram muitas outras histórias, confrontos com a polícia, destruíram a vida social de dois deles, os colocaram na lista negra das ordens e outras consequências. No fim dessa segunda sessão, em que eu usei as “simples” coisas que eles faziam na maioria dos jogos e simplesmente pensei o que de lógico aconteceria. Cheguei a conclusão de que jogadores problemáticos são o melhor tipo, pois quando se joga as cartas na mesa, eles fazem todo o jogo por você. Nessa história só há um antagonista real, além das atitudes dos próprios jogadores.

Eu percebi que eles estavam curtindo o novo estilo “newtoniano”, mas ainda estavam incomodados com a lei de causa e efeito, e isso me fez ter um devaneio psicodélico e começar a pensar sobre o que acontece na adolescência em relação ao desejo por liberdade, de conseguir o novo, de experimentar ser adulto e fazer o que bem entender que muitos jovens e até eu mesmo sinto, mas sem receber também o outro lado da moeda: a responsabilidade e a consciência.

Hoje e sempre vai existir a fase em que nós deixamos de brincar com nossos bonecos dos power rangers, esconde esconde (nem sei se as crianças atualmente ainda brincam disso), bonecas e casinha. É nessa fase de tédio e de falta de certeza que temos muitas experiências novas e definimos do que realmente gostamos de fazer, do tipo de pessoas que gostamos de andar e as coisas que odiamos. Tem muita gente que levanta a bandeira Nerd com orgulho (eu sou um deles) e montam comunidades de discussão sobre jogos, series, quadrinhos, RPG, blogs, animes, memes e qualquer atividade de cultura pop, mas é atingido com o preconceito, taxado por modelos americanos (o que graças a Deus já está acabando, acho até que ser Nerd está virando moda O.o), mas também há as pessoas que durante a adolescência não tiveram apoio da família e muito menos amigos verdadeiros em quem se apoiar e nessa coisa de experimentar coisas novas acabam usando drogas ilícitas, como cocaína, maconha e heroína.

Aquela sábia frase me vem à mente: “O meio não nos determina, apenas influencia”. Só esqueci de quem é, mas ouvi minha professora falando certa vez. A noção de liberdade, do prazer obtido facilmente ou com pouco dinheiro, é realmente perigoso nessa fase. Eu fico pensando comigo “se sexo é tão bom que ninguém nunca consegue nem imaginar não fazer de novo, imagina uma droga que deve satisfazer alguém bem rápido e talvez bem mais que sexo?” Eu tenho certeza de que quem entra nesse mundo normalmente não quer sair. Geralmente aqueles clichês de aparentar uma coisa que não é, e se fazer pros amigos existe mesmo. Mas uma coisa tipo “Ah, é bom e acho que não faz mal eu fazer de novo... e “eu posso parar quando quiser, sou forte mesmo, sou especial” rola muito mais do que eu pensava. A adolescência e a juventude são fases em que nós definimos nossa identidade. Todo mundo pode se tornar alguém brilhante, ou alguém destruído.

Grande parte de nossa pequena comunidade não tem esse problema, ou apenas posso dizer que eu quero acreditar nisso. Mas em vez de deixar essas pessoas serem levadas pelo abismo, é muito melhor unirmos nossos conhecimentos, espadas, poderes arcanos e afastar as trevas do nosso mundo através de nossa cultura ultra viciante e Nerd, onde podemos ser o que quisermos e aprender com os erros de pessoas que nós mesmos inventamos. Temos que prestar atenção nisso principalmente àqueles que são ou serão pais e mães, irmãos ou amigos. Uma coisa nova pode ser muito bem algo antigo, que simplesmente se é redescoberto. Precisamos redescobrir nossa própria história e compartilhar com aqueles que amamos, para assim criarmos mais histórias épicas, juntos. Eu só torço para que estejamos fazendo a coisa certa por aqueles que precisam. Pequenas ações podem mudar o mundo.
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18 de novembro de 2011

Devir Disponibiliza O Roteiro Introdutório "Vida Nas Trevas" para Changeling: Os Perdidos

8 comentários
Salve povo!

Mais cedo recebi via Twitter, assim como muitos seguidores da Maria do Carmo Zanini, a notícia que a Devir está disponibilizando em sua home page o Roteiro Introdutório de Changeling: Os Perdidos, entitulado como "Vida nas Trevas".

"Este roteiro contém tudo de que você e cinco amigos precisarão para jogar Changeling pela primeira vez, exceto lápis, papel (para anotações) e alguns dados de dez faces (esses dados especiais podem ser encontrados nas lojas do ramo e às vezes são chamados “d10”)" - trecho retirado do Roteiro Introdutório "Vida nas Trevas".

Dados do Roteiro Introdutório:
  • Tradução: Fábio Henrique Macedo e MC Zanini;
  • Contém 36 páginas coloridas;
  • Intruções para o mestre narrar essa aventura introdutória;
  • Instruções, informações e fichas prontas de cinco persoangens para os jogadores.
Para quem tem curiosidade de dar uma prova desse cenário de terror, basta acessar o link: Vida nas Trevas.


     
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16 de outubro de 2011

Conto: O Diário De Um Artista

2 comentários
Autor: Elves Cunha

Fala galera! Esse é um conto que eu usei pra participar do “Concurso: Cidade dos Amaldiçoados”, pela RedeRPG que aconteceu ano passado e, com muito esforço, onde consegui ganhar meu exemplar de Nova Orleans: Cidade dos Amaldiçoados.

Segue aí o conto. Espero que curtam. :D


O Diário De Um Artista

Diário de Philip Stengel, 25 de março de 2002, Nova Orleans.

Sempre achei o hábito de escrever em um diário meio infantil. Adolescentes que morrem de amores por algum rapaz são quem mantém uma coisa dessas, mas meu terapeuta recomendou e só por isso estou a redigir. Ah, eu lembro que minha esposa costumava escrever contos de amor e aventura, ela dizia que seria bom ler todos eles para os nossos futuros filhos. Marie morreu em um acidente de carro mês passado.

Hoje acordei como os outros dias desde o acidente: exausto, deprimido e sem vontade de fazer nada a não ser chorar na cama. Não entendo como aquele tratamento pode me ajudar. Eu não sinto fome, a única coisa que sobrou foi o vazio. Um vazio dentro de mim que apenas quer sugar tudo o que restou de minha alma. Se é que restou algo.

Minha vida era Marie, sem ela eu realmente não sei se posso continuar vivendo. Dizem que quando estamos tristes é que os artistas interiores se revelam, sendo a morte uma grande fonte de inspiração. Mentira.

Nosso... Meu apartamento era grande e espaçoso, além de servir como moradia, ele também era meu ateliê. Ficava localizado em um prédio residencial de classe média no Garden District, um ótimo bairro para se viver. As ruas eram abarrotadas de casarões e prédios antigos, um espetáculo para os amantes da arte moderna.

Dentro de minha sala, manchas e latas de tinta de todas as cores se espalhavam pelo chão e pelas paredes, telas de todos os tamanhos carregavam a minha inspiração em diversas formas. Até sujeira também era minha companheira.

Lembro que Marie tinha mania de limpeza, ela sempre reclamava... Eu não vou mais ficar negando o que aconteceu, não há como esquecer. Contarei tudo, pois a culpa não me deixa em paz.

Naquele maldito dia, ela iria sair para fazer uma surpresa para mim, porém tivemos uma briga feia e não estávamos nos falando há algumas horas. Eu estava na sala, como sempre, com as mãos sujas de tinta em frente a uma de minhas telas tentando finalizá-la, quando Marie apareceu.

“Philip, me dê as chaves do carro.”, sua voz estava autoritária e sua mão estendida para mim, enquanto um raio de sol refletia em seus cabelos negros e fazia brilhar seus olhos azuis. Ela ficava linda com raiva, mas naquele dia eu podia sentir que ela estava magoada. Marie havia pedido para que eu me livrasse de todo o lixo que se acumulava em nosso apartamento. Disse que faria mal a saúde.

“Saúde de quem? Nós moramos nesse apartamento há três anos e nunca tivemos um problema por causa da tinta!”, eu estava de cabeça quente, pois meu prazo de entrega do quadro estava se esgotando.

“Isso não importa, pessoas novas que chegarem por aqui podem passar mal com esse cheiro e toda essa química. Até nosso quarto está infestado!”

“Só diz isso por que comeu alguma coisa tóxica e está vomitando de vez em quando. Seu enjôo não é problema meu. Saia do apartamento se não estiver à vontade e me deixe em paz!”, eu não estava pensando naquele dia, mas mesmo sabendo que o carro precisava de uns reparos, entreguei a chave para ela. Foi o pior erro que eu já cometi em toda minha vida.

26 de Março

Essa coisa de diário até que é interessante. Não posso dizer que estou me sentindo bem, mas acho que melhorei um pouco escrevendo sobre o que houve. Mas pensar que eu poderia ter evitado aquilo se tivesse sido mais gentil e não apenas pensando em mim mesmo... Perdi meu grande amor, o sabor de viver e o de pintar, mas talvez escrevendo possa desabafar por enquanto.

28 de março

Hoje eu não saí de casa para nada. Um forte temporal caiu sobre Nova Orleans e apenas fiquei olhando da janela a paisagem cinza e triste que era essa cidade desolada. O vento frio podia não chegar até mim, mas eu pude senti-lo através do vidro de minha janela. Aquela sensação me lembrou de como estou sozinho e o quanto era quente estar nos braços de Marie.

Eu nunca sentiria novamente o calor que o corpo dela emanava por dentro, não ouviria mais a voz sedosa de cantora que ela tinha e nem veria aqueles finos lábios vermelhos se abrindo em um sorriso brilhante. Minha branca de neve havia dormido para sempre, e um beijo de seu príncipe encantado não poderia acordá-la.

Comecei a empurrar meu próprio corpo para o vidro da janela, para que eu por inteiro sentisse o frio da solidão. De repente o telefone tocou. Corri atravessando o ateliê/sala e puxei-o do gancho, como se estivesse esperando ouvir a voz de Marie do outro lado.

“Alô, senhor Philip?” uma voz grossa perguntou.

“Sim, sou eu. Quem está falando?” respondi desanimado.

“Aqui é o secretario do senhor Miller. O prazo final se acabou e quero comunicá-lo que o pedido foi cancelado.” E o telefone ficou mudo. Já era o terceiro quadro que perdia esse mês. Mas eu não estava me importando. São apenas imagens. Não há mais nada de mágico na arte sem Marie.

Como não estava com fome, tentei pintar algo, em vão. O prazer tinha mesmo desaparecido. Apenas formas sem vida brotavam na brancura das telas. Eu apenas corrompia a pureza do branco.

Entrei no nosso... Meu quarto para procurar algo que me desse uma lembrança feliz e nítida de Marie, com a intenção de encontrar uma foto dela sorrindo ou algum de seus contos. Enquanto vasculhava suas gavetas, encontrei um envelope com o emblema de um laboratório e o nome de Marie escrito nele. Quando abri e comecei a ler vi que era um exame de sangue e o resultado de um teste de gravidez.

Positivo.

Desesperei-me e caí em prantos. Um lago de lagrimas descia de meu rosto enquanto eu arrancava cabelos de minha cabeça. Caí no chão, e lá fiquei por varias horas chorando, me contorcendo de dor. Em breve seria pai e não sabia.

Marie estava enjoada alguns dias antes de falecer. Ela foi fazer exames de sangue para saber se tinha algo errado com ela e o resultado tinha chegado no dia anterior a sua morte. Como eu estava ocupado de mais com a pintura, tinha me esquecido de perguntar. Pessoas novas... Ela apenas pensava na saúde de nosso futuro filho...

Não consigo mais escrever.

12 de abril

Hoje andei pela cidade até a noite cair, tentando fazer uma caminhada e ver se esquecia o meu sofrimento. Isso foi recomendado pelo meu terapeuta. As ruas estavam apenas mais cheias do que antes, mas me sentia sozinho no meio da multidão. Eu era um assassino. Matei minha mulher e meu filho. Como isso pôde acontecer justo comigo?

13 de abril, à noite.

Ontem depois de escrever um pouco e tentando afogar meu desespero, peguei meu carro e fui ao Jean Lafitte’s Old Absinthe House, um bar que fica do outro lado da cidade, no French Quarter, um pequeno e antigo bairro de Nova Orleans. Não olhei direito para a entrada e nem para as pessoas no bar, fui direto ao garçom e pedi varias doses de Jack Daniels.

Não lembro direito o que aconteceu lá, pois me embriaguei rapidamente, mas recordo-me de ter conversado com um homem estranho. Desmaiei após algumas doses posteriores em algum ponto da conversa. Porém, um fato curioso aconteceu: eu acordei hoje à tarde jogado em minha cama, no meu apartamento.

Levantei-me e senti a dor de cabeça chegar como uma pancada. Eu estava tonto, me sentindo sonolento, minha visão estava turva e mal conseguia manter-me em pé. Essa foi a pior ressaca que eu já tive em toda minha vida. Dirigi-me à cozinha e preparei um café bem forte para mim, o que me fez melhorar um pouco.

Dei uma passada no banheiro para fazer as necessidades, escovar os dentes, tomar um banho para depois talvez ler o jornal, pintar ou fazer qualquer coisa. Quando me olhei no espelho do banheiro, vi que meu rosto estava pálido que nem uma folha de papel, e olheiras que me cercavam os olhos. Eu estava parecendo um bêbado mesmo, minha aparência estava horrível e minha barba por fazer não ajudava em nada.

Fiz o que tinha que fazer no banheiro e caí no sofá. Minha garganta estava muito seca e eu estava muito cansado. Resolvi descansar um pouco.

14 de abril

Eu quase não dormi noite passada. Logo após terminar de escrever, fiz um sanduíche e fui para o meu quarto. Quando entrei, percebi que a porta do closet de Marie estava aberta, mas eu não o abria fazia meses. Marie tinha a mania de comprar muitas roupas, por isso ele tinha aproximadamente uns nove metros de comprimento interno. Achei estranho e então o fechei. Ao deitar na minha cama, dei uma boa olhada no quarto e averiguei que estava uma bagunça: livros jogados em cima das mesas, papéis arremessados no chão e roupas no pé da cama. Não me importei, joguei o que estava em cima da cama no chão e me deitei.

Depois de comer o sanduíche, desliguei a luz através um comando de palmas e fiquei apenas olhando para o teto, pensando em Marie. Quando comecei a adormecer, ouvi um barulho característico de madeira caindo na sala e logo deduzi que uma de minhas telas havia sido derrubada. Fui ver se tinha algum gato vagabundo rondando meu apartamento, mas não encontrei nada além de um quadro jogado no chão.

Voltei para meu quarto, mas então senti uma horrível sensação de perigo, como se eu fosse uma zebra que estivesse prestes a ser atacada por um leão faminto. Virei de um lado para o outro olhando cada centímetro do quarto, mas nada havia lá. Fechei a porta e deitei. Porém, toda vez que eu começava a cochilar, a sensação de ser vigiado me atacava, tirando-me violentamente de meu sono e me deixando alerta. Assim foi até alguma hora da madrugada.

Acordei cansado e sonolento hoje e logo depois de terminar de escrever ligarei para o meu terapeuta.

16 de abril

Conversei com meu terapeuta e ele disse que pode ser algum tipo de depressão pós-traumática. Eu me acalmei um pouco e tentei dormir de novo. Mas tive novamente problemas e resolvi tomar um remédio que ele me receitou.

Acordei no dia seguinte, mas pareceu que eu não tinha dormido nada. E por incrível que pareça, minha ressaca persistiu.

Ontem precisei tomar de novo pílulas para dormir, e novamente acordei cansado, porém estava pior essa manhã: eu não consegui levantar da cama e estava tendo faltas de ar, o que não acontecia desde que eu era um adolescente, pois minha asma havia desaparecido há anos!

À noite, a sensação de ser vigiado não cessava. Parecia que apenas ficava pior. Eu olhava de um lado para o outro do meu apartamento, verificando cada móvel que lá havia e acabei constatando que alguns objetos mudaram de lugar.

17 de abril

Hoje, tentei dormir sem o remédio. Não funcionou. Mesmo com a porta trancada, eu sentia que havia alguém comigo lá no quarto. Deitado na cama, não conseguia tirar os olhos do closet de Marie. Era como se alguém me observasse por entre as frestas da porta de madeira. Abri o closet e vi que não existia nada lá, mas, antes de fechar eu podia jurar ter visto um vestido se mexer.

20 de abril

Tem alguma coisa comigo aqui no apartamento. Eu posso senti-lo. Sempre que tento dormir sem remédios não consigo e quando os tomo, eu acordo cada vez mais fraco. Anteontem eu fui internado num hospital por causa de uma anemia. Fiz uma transfusão de sangue e melhorei. Ontem pude sair do hospital, mas quando voltei para casa, a sensação de perigo retornou. Consegui dormir sem o remédio por causa de exaustão, mas hoje acordei completamente seco, pior do que estava antes. Suspeito de que algo está se alimentando de mim.

22 de abril

Ontem quando acordei de madrugada, vi alguém em pé do lado da minha cama. Um homem alto, pelo que pude enxergar. Estava muito escuro e no momento em que pisquei os olhos o sujeito sumiu.

Não dá. Tentei pedir ajuda, mas ninguém se importou comigo. Todos do prédio acreditam que estou ficando louco pela morte de Marie. Talvez seja.

25 de abril

Vi o homem novamente andando pelo meu ateliê de madrugada enquanto fui beber água. Mas ao atravessar a porta do quarto, novamente ele sumiu. Eu acho que alguém invadiu a minha casa, mas se for isso, por que nada foi roubado ainda?

30 de abril

Já faz alguns dias desde que eu melhorei. Porém o custo para isso foi eu sacrificar todas as minhas noites de sono, pois quando durmo, acordo mais fraco. Agora eu já tenho certeza de que alguém está na minha casa. Aproveitei e comprei uma arma para me defender, mas estou com sono. Acho que dormir uma vez não faz mal.

01 de maio

Ontem acordei no meio da noite, quando senti uma dor no meu braço. Ao abrir os olhos vi o tal homem, ajoelhado na beira de minha cama com o meu braço direito em mãos e com a boca no meio das juntas. Podia sentir a dor de algo fino como uma agulha espetando meu braço.

Com o susto peguei a arma que estava de baixo do travesseiro e apontei para a cabeça dele. Disparei uma vez e ele foi ao chão. Corri para o telefone e liguei para a policia, mas desliguei logo que alguém atendeu, afinal, eu tinha matado um homem.

Retornei lentamente para o quarto com a arma em posição para atirar e percebi que meu braço sangrava muito, mas, ao entrar não havia mais ninguém lá. O homem baleado tinha sumido.

05 de maio

Estou trancado no banheiro e ele está fora. Se ele tentar entrar, eu estou armado e vou atirar. Não consigo mais dormir. Essa coisa ainda está aqui, provavelmente escondida no closet de Marie. Ninguém acredita em mim, eu não posso fugir e nem descansar. Ele me pegou, eu sou sua refeição todas as noites. Acho que essa coisa é um tipo de vampiro ou sei lá o que. Não estou ficando louco, e estou desesperado. Ninguém quer passar pelo que eu estou passando.

Mas esse desgraçado não vai mais se alimentar de mim, não. Ele não vai mais ter seu lanchinho da madrugada. Eu já estou no meu limite, e esse monstro faminto está tentando arrombar a porta.

“Abra a porta Philip!” a sua voz até que parecia humana. Mas eu não ia deixar barato.

“Você não vai me pegar seu bastardo! Nunca mais vai poder se alimentar de mim!”

Ele continua insistindo e a porta está cedendo. Tem mais de um e eles logo vão abrir a porta, mas eu não vou deixar eles me pegarem. Em breve nos encontraremos Marie. Te amo para sempre, do seu Philip.

Fim do diário.


Relatório do oficial de polícia Paul Hudson.

05 De março de 2002, Nova Orleans

Este diário que está anexado ao relatório é de Philip Stengel, um pintor que ficou louco após a morte de sua esposa. Seus vizinhos reclamavam de seu comportamento e após ouvir vários barulhos de madrugada resolveram chamar a polícia. E eu fui o encarregado de ver o que estava acontecendo.

Eram umas 10 da noite quando cheguei ao apartamento, bati algumas vezes na porta e ninguém atendeu. Quando ouvi gritos lá dentro e ordenei ao oficial Brendan que arrombasse a porta. Entramos e ouvimos mais gritos e ameaças de Philip vindo do banheiro. Tentamos entrar, mas a porta estava trancada, então novamente começamos a arrombar a porta.

Philip gritou que nós nunca o pegaríamos e depois de mais alguns instantes o barulho de um tiro ecoou. Forçamos mais a porta e conseguimos arrombá-la. Entramos e vimos a cena do suicídio: Manchas de sangue nas paredes do banheiro e o corpo de Philip jogado no chão com a cabeça aberta, provavelmente estourada por um tiro na boca. Em sua mão direita havia uma pistola e perto de seu corpo, seu diário. Sem um diagnostico de um médico não sabíamos o que Philip sofria. Mas provavelmente era esquizofrenia.

O que havia no diário era surreal e não levamos a sério. Procuramos por todo o apartamento e não achamos nem um homem estranho. O lugar estava vazio.

Isso não tem nada a ver com o caso e pode até ser minha imaginação, mas antes de sair eu juro que vi a janela se abrindo sozinha.
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8 de setembro de 2011

Lobisomem: O Apocalipse x Sistema Interpreta

2 comentários
Salve povo!

Mais um Dia D RPG em Belém chegando e mais uma oportunidade se apresenta para eu poder amadurecer as idéias do Sistema Interpreta emulando cenários dos mais variados.

Para o Dia D RPG, eu escolhi emular o cenário de Lobisomem: O Apocalipse.

Irei usar o Sistema Interpreta com alguns adicionais que se fizeram necessários para enquadrar todas características do cenário de Lobisomem.

Estou colocando a disposição dos interessados um PDF com os detalhes da mecânica básica do Sistema Interpreta: baixar Sistema Interpreta.

Esses adicionais serão meu termômetro para tentar viabilizar a mecânica de poderes que pretendo usar no jogo Magia & Fantástico que estou desenvolvendo.

Os adicionais são:
  • Fúria: será usado para ativar alguns dons e permitir ações extras aos personagens. Além de ser usado no controle do frenesi.
  • Gnose: será usado para ativar alguns dons e rituais e permitir o acesso dos Garou à Umbra. Além de impedir do personagem se metamorfosear, em caso de ter exaurido seus pontos.
  • Força de Vontade: será usado para ativar alguns dons e para acrescentar bônus de +1 às rolagens de dados. Além de fazer o personagem ficar desmotivado, em caso de ter exaurido seus pontos.

Os personagens que irei usar na aventura foram extraidos de modelos disponibilizados nos Livros de Tribo e adaptados aos moldes do Sistema Interpreta.

Abaixo eu apresento os personagens aos leitores para análises e comentários.







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1 de setembro de 2011

Live Action de Vampiro: O Réquiem - Resumo Histórico

3 comentários
Salve povo!

A pedidos, estou trazendo para o conhecimento de todos o resumo histórico da história de Belém adaptado e focado nas atividades dos Vampiros. Esse será o contexto a ser usado no Live Action que iremos realizar no Dia D RPG 2011 em Belém.

Para maiores informações sobre o live action, acessem: Dia D RPG 2011 em Belém - Live Actiom.


Resumo Histórico de Santa Maria de Belém do Grão-Pará

1837 – João Roberto Machado Leal, primeiro Príncipe de Belém é destruído em um confronto com os membros do Movimento Cartiano durante a revolta da Cabanagem.

1837/1840 – Belém é tomada pelos revoltosos Cartianos, os quais iniciam uma caçada frenética a todos os anciões de Belém, fazendo com que muitos se escondam ou saiam da cidade. Em 1840, Albertino Miranda e Osvaldo de Medeiros convocam uma reunião com todos os anciões e ancillas para planejar a retomada da cidade e assim se fez. Os confrontos duraram longos cinco noites, mas foi muito bem sucedido, consequentemente levando à destruição da maioria dos revoltosos e expulsando os demais.

1842 – Albertino Miranda, então nomeado Príncipe de Belém, dá início ao processo de reconstrução física e moral da cidade. Para isso, convocou o primeiro Elisium na cidade, onde determinou que algumas edificações fundamentais deveriam ser reconstruídas e estabeleceu suas leis a respeito do território.

1843 – A pedido do Príncipe de Belém, foi convocada uma reunião do Círculo Interno. Nesta reunião, Albertino Miranda teve seu poder, dentro da Convenção, não somente reconhecido, como aumentado. Nesse mesmo ano, o então Bispo de Belém, Osvaldo de Medeiros, declara que a Convenção Lancea Sanctum reconheceria formalmente o governo do novo Príncipe como legalmente Divino e por isso passariam a apoiá-lo.

1850 – Albertino Miranda retoma sua corte e seu Réquiem volta a ocorrer como o planejado.  Uma ampla liberdade é concedida aos membros dos Invictus, para que eles retomem o processo de revitalização e desenvolvimento da cidade.

1870 – Carla Saldanha é reconhecida pelo Príncipe como Primógena.

1890 – Ocorre o “Boom da Borracha” em Belém, tendo a cidade atingido um grau de urbanização e riqueza somente igualável aos padrões europeus. Nesse período, os membros do Invictus atingem um patamar de riqueza e poder somente inferior aos membros Invictus do Rio de Janeiro.

1900 – O Príncipe convoca seu segundo Elisium com o objetivo de apresentar aos membros da Primogenitura a proposta de conceder feudos e, pela primeira vez, nomear um Xerife. Assim se fez, Antônio Sá foi nomeado ao posto e novamente os Invictus beneficiados.

1920 – Não podendo competir com a produção malaia de borracha, que era maior e mais barata, além de ter ocorrido problemas na lavoura, o “boom” da borracha chega ao fim, acabando também o período da Belle Époque.

1921 – Mesmo diante de inúmeras tentativas de conter a crise que havia se instaurado, os Invictus perdem fortunas enormes e com isso seu poder na cidade esvaiu-se, perdendo terreno para os Lancea Sanctum e para os membros do Circulo da Anciã, que começaram a despontar na cidade, preocupando o Bispo de Belém.

1931 – Albertino Miranda faz uma cria e naquele mesmo ano proíbe que novos membros sejam abraçados sem sua autorização.

1931 a 1943 – Herculano Moura (Ventrue, cria de Albertino Miranda) é treinado para ser um nobre e um dia suceder seu Senhor no governo da cidade.

1944 – Ananindeua é fundada e uma nova disputa se inicia entre os Invictus e os Lancea Sanctum, para saber com quem ficará o domínio sobre o novo município. Em uma jogada arriscada, Albertino Miranda convoca uma reunião com os Lobisomens da região e propõe um acordo secreto: eles o ajudariam a conseguir o município e em troca o Príncipe se comprometia a não tentar conquistar mais nenhum território, freando seu expansionismo. Nesse mesmo ano, o acordo é fechado e os Lobisomens ocupam Ananindeua, espalhando o terror entre os membros locais que não eram regidos pelo poder do príncipe. Os Lancea Sanctum tentaram ajudar, mas foram rejeitados, pois o tratado com os Lobisomens previa que somente quando Albertino Miranda “entrasse no confronto” eles deixariam o município, para assim forçar os membros locais a deverem um favor ao Príncipe, que propositadamente cobraria o seu reconhecimento pelos membros locais e o direito de reinar sobre Ananindeua também.

1945 – Mesmo a contragosto, os membros de Ananindeua reconhecem o direito de governar de Albertino e este nomeia sua cria, Herculano Moura com o título de Regente Consorte de Ananindeua e intitula o município de Protetorado Perpétuo de Santa Maria de Belém do Grão-Pará.

1950 – A fama de Albertino Miranda se espalha por toda a região e ele passa a ser respeitado entre outros Príncipes dos municípios vizinhos. 

1951 – Afonso Barata (Gangrel, Movimento Cartiano) é nomeado por sua Convenção para uma missão especifica e perigosa, deveria capturar a cria do Príncipe. Após ter aceitado a missão, foi até Belém e conseguiu ser aceito pelo Príncipe, o qual deu autorização ao Gangrel para se estabelecer na cidade, uma vez que não havia participado diretamente do levante ocorrido há um século.

1952 – Em uma emboscada, na estrada que ligava Ananindeua a Belém, Herculano é capturado por Afonso e levado a ilha onde os Cartianos mantêm seu refúgio. Diante do ocorrido, Albertino convoca um terceiro Elisium e anuncia que sua cria foi sequestrada, oferecendo assim um feudo para quem o encontrasse. A partir deste Elisium, o príncipe proíbe a saída de qualquer membro da cidade sem a sua autorização. Nesse ínterim, passaria a governar Ananindeua pessoalmente.

1955 – Três anos se passaram e a cria de Albertino Miranda não havia sido encontrada, até que Afonso Barata inicia outra parte do seu plano: resolve libertar a cria do príncipe, declarando ser o seu libertador e invocando para si como feudo a Universidade Federal do Pará que estava sendo construída.

1957 – A Universidade Federal do Pará é fundada e no mesmo ano Afonso Barata torna-se Senhor Feudal da UFPA, concluindo assim mais uma parte do plano Cartiano. De posse de parte das margens da cidade no Rio Guamá, Afonso inicia o translado dos membros do Movimento Cartiano da ilha, onde estavam escondidos, para Belém. Finalmente, os Cartianos estabeleceram um quartel general “reconhecido” pelo príncipe, onde poderiam planejar um novo ataque a Belém e destronar o atual tirano.

1964 – Estoura o Golpe Militar no Brasil e inicia-se a interventoria no estado do Pará. Albertino Miranda teme pelo seu poder e sua influência no mundo dos mortais.

1966 – É fundada em Belém a Ordem Luz e Trevas, que reuniria os principais militares da cidade em uma confraria de homens de ajuda mútua. Na verdade essa Ordem seria uma fachada para a fundação da Ordo Dracul.

1971 – Após 131 anos de espera e treinamento, os Cartianos conseguem reunir um poderoso grupo de 6 membros prontos para colocar o plano da Coalisão em prática. Desde que foram expulsos de Belém e declarados Anátemas, os Cartianos não vêem a hora de poder remover Albertino Miranda do poder e acabar com toda a tirania que o mesmo impõe a cidade. Para isso, planejam uma invasão simultânea a vários locais estratégicos, a fim de debilitar a força do Príncipe e poder arrancá-lo do poder, instalando assim um governo mais justo para os moldes vampirescos.

1987 – A Ordo Dracul entra na clandestinidade, operando as escondidas na cidade em busca de poderes e conhecimentos outrora esquecidos pelos membros mais novos de Belém.

1990 – Surge um boato de que Albertino está demorando demais para despertar a cada noite que passa.

1999 – Albertino Miranda Convoca seu quarto Elisium e anuncia que irá descansar pelos próximos 250 anos. Em seu lugar, o conselho da Primigênie iria reger a cidade de Belém.

2000 – Albertino Miranda entra em Torpor e um conselho formado por 3 anciões tornan-se os regentes da cidade pelo tempo do torpor de Vidal.

2001 – Afonso Barata planeja a invasão da cidade para o próximo ano, tendo tudo pronto para o ataque ao local de descanso de Albertino.

2002 – Antônio Sá, então Xerife de Belém e membro do conselho governante, nomeia cinco membros como seus auxiliares no patrulhamento da cidade e um desses passa a observar de perto uma suspeita movimentação na Universidade Federal do Pará, o que prontamente é informado ao Xerife que passa a vigiar com mais cuidado esse local, sem poder fazer mais, uma vez que o mesmo havia sido dado como feudo a outro membro. Diante dessa constante vigília, os Cartianos decidem adiar por mais um tempo o ataque.

2005 – O já então Arcebispo de Belém, Osvaldo de Medeiros, também membro do conselho governante, convoca uma reunião urgente com os outros Primógenos a fim de decidir a respeito de uma possível intervenção no torpor de Albertino. O medo toma conta de todos quando o Xerife informa das ações suspeitas dos Cartianos. Diante do exposto e sem avisar aos membros da cidade, o Arcebispo de Belém realiza um antigo e poderoso ritual Tebano, trazendo o Príncipe de Belém de volta do sono antes da hora. 

2008 – Ao descobrirem que o Príncipe Albertino Miranda estava de volta ao Réquiem, os Cartianos decidem invadir Ananindeua, o qeu viria a se tornar uma tentativa frustrada, fazendo com que Albertino descubra o que se esconde por trás da Universidade. Como conseqüência, caçou o direito de enfeudação concedido a Afonso Barata e declarou uma Caçada Sanguínea sobre ele, juntamente com o seu bando.

2011- Em uma emboscada bem sucedida, o Xerife Antônio Sá consegue capturar, após dois anos de procura, todo o bando de Cartianos e levá-los a julgamento diante do Príncipe Albertino de Miranda.


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