22 de fevereiro de 2011

Circuito de Encontros - Maria do Carmo Zanini

Olá a todos!
O Texto a seguir foi enviando por Maria do Carmo Zanini,a meu pedido, para ser lido ao público participante do evento Introdução ao Mundo das Trevas,que aconteceu no último sabado na Saraiva Megastore.
Mas devido ao tempo destinado a palestra, a leitura da texto não pôde ser feita, por isso o postarei aqui e peço desculpa a Maria do Carmo pela minha falta.


Circuito de Encontros RPG Pará

Livraria Saraiva


Salve, pessoal!


Escrevo isto numa quinta-feira cinzenta e molhada. Não sei se vou conseguir chegar em casa. Não sei se vou conseguir terminar este texto. Dizem que a culpa é da chuva. Ou de Deus. Ou da metrópole quase desumana em que escolhi viver. São Paulo se encaixa tão bem na urbanidade do Mundo das Trevas, que chega a ser de arrepiar.


Chuva Vermelha me pediu para falar um pouco do Mundo das Trevas Storytelling e do meu trabalho. A esta altura, acho que vocês já sabem que meu nome é Maria do Carmo Zanini e que sou a responsável, aqui na Devir Livraria, por trazer até vocês os jogos do Mundo das Trevas em português, desenvolvidos pela White Wolf Publishing e traduzidos por nós. Bom, o que talvez vocês ainda não saibam é que, antes disso, bem antes disso, eu sou RPGista e aficionada pelo Mundo das Trevas. Por isso, relevem qualquer coisa excessivamente elogiosa que eu venha a escrever sobre o cenário e o sistema, o.k. ? Coisa de fã.


O Mundo das Trevas de que vou falar é o do sistema Storytelling. Foi lançado em 2004 nos Estados Unidos; 2006 no Brasil. É uma linha de jogos de horror para quem não tem medo do escuro. (Mas quem disse que a luz do dia traz alguma segurança?) O medo, nestes jogos, é o arrepio saudável que garante a diversão. É um exercício de imaginação pura. O cenário, o sistema e os livros nos quais ambos são descritos foram idealizados para que vocês experimentem esse mundo tenebroso através do jogo, para que vocês decidam quem são os grandes personagens de uma história essencialmente trágica de sua própria criação. E trata-se de uma criação coletiva. Alguns RPGs têm personagens prontos e icônicos, que acabarão protagonizando os grandes acontecimentos do cenário. No Mundo das Trevas Storytelling, os personagens interpretados pelos jogadores é que estão no centro do palco, sob os holofotes.


O horror do Mundo das Trevas está no desconhecido. Não há uma cronologia oficial a seguir: os fatos podem pegar personagens e jogadores de surpresa. Para privilegiar a história, o Narrador tem a liberdade de introduzir elementos inesperados: não adianta decorar as características dos monstros. A coisa mais importante na sua ficha de personagem é a Força de Vontade, medida em pontos, algo que você pode usar no jogo para se safar em momentos cruciais, mas também algo que você só vai recuperar se for fiel ao caráter do personagem. Estamos falando de um cenário rico em possibilidades e de um sistema de regras que faz o que um sistema de regras precisa fazer e, ainda por cima, incentiva a interpretação.


Jogar o Mundo das Trevas é interpretar dilemas. Os vampiros precisam agir como monstros para não se tornar monstros ainda piores. Os lobisomens travam uma guerra fratricida para preservar dois mundos que sofrem por estarem separados, mas retalham-se mutuamente quando unidos. Os magos desejam o poder para combater um mal superior, os Exarcas, mas o poder corrompe. Os changelings, essencialmente, são crianças brutalizadas que precisam se esforçar para não acabarem iguais a seus captores arbitrários. Perguntem ao Chuva Vermelha e aos Narradores aí presentes o que eles acham das criaturas prometeicas, dos caçadores e dos devoradores de pecados.


Os títulos da linha, livros em sua grande maioria, são obras de arte. Belas capas, belas ilustrações. Mas o texto... Ah, o texto não só é um primor, como também traz boas ideias para histórias a cada parágrafo. Imaginem a dificuldade de criar algo assim. A descrição de um poder sobrenatural não está lá só para vomitar regras. Você pode criar uma história ou a premissa de uma crônica inteira em cima de um detalhe que leu numa dessas descrições.


Como editora, cuido de todas as etapas da produção dos livros da linha Storytelling em português. Seleciono os títulos, converso com a White Wolf sobre projeto gráfico e as aprovações necessárias, escolho os tradutores, ou traduzo eu mesma, supervisiono a preparação e/ou revisão da tradução, a diagramação e a revisão das provas, crio os textos de divulgação, redijo as sinopses para o Ministério da Justiça, mantenho contato com os fãs, respondo dúvidas e perguntas e organizo promoções (quando o tempo permite), e devo fazer mais algumas coisas que agora me fogem à lembrança. Vou usar um clichê: trabalhar com a linha Mundo das Trevas é, como ser mãe, padecer no Paraíso. O texto é sempre muito difícil de traduzir, ora porque usa recursos literários elaborados, ora porque recorre a um linguajar tão atual que nenhum dicionário o registra. Mas é gratificante, porque desafia o tradutor. E eu adoro desafios. A diagramação dos livros em português é um pesadelo: temos de manter o projeto gráfico original, inclusive o mesmo número de páginas, com um texto vinte por cento mais volumoso. Mas dá gosto ver o livro pronto.


Não vou me alongar demais porque vocês certamente têm coisas muito mais divertidas para fazer do que ficar escutando minha lenga-lenga. Deixo vocês com o Chuva Vermelha e os Narradores que estão aí, prontos para deslumbrar vocês com todo o horror do Mundo das Trevas.


Incendite tenebras mundi!

3 comentários:

Michael Wevanne disse...

Falou e disse.

MC Zanini arrepiando no funk... Digo, arrepiando no RPG!

XD

Jornalista PH disse...

ué???!!! eu tava lah e dava tempo sim, ainda mais que é curto. pena!

Leonardo disse...

Mais uma vez MC Zanine mostrando a que veio...publicação tardia mas sem delonga...parabéns pelo excelente trabalho Zanine, contamos com você para o melhor desenvolvimento do RPG no Brasil...o/

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