19 de outubro de 2011

Datas apocalípticas nossas de cada dia...


Escrevo isto após ter assistido o interessante trailer de “11-11-11”, filme dirigido por Darren Lynn Bousman, o mesmo diretor que também assina alguns filmes da série “Jogos Mortais” (as seqüências 2, 3 e 4). Considero a premissa do filme interessante: lida com as datas apocalípticas e todo o sentimento que elas promovem na mente das pessoas. Não à toa, o filme tem estréia prevista para o próximo dia 11 de novembro – dia em que, segundo o filme, o “11º portal” se abrirá ante a invasão de uma sombria e tenebrosa entidade de puro mal. Alguém aqui faz aniversário nessa data?


Datas apocalípticas são elementos interessantes na mesa de jogo. Certos períodos (e não apenas “dias ruins” mas grandes eventos) funcionam como um “catalisador” para medos e anseios do grupo. No primeiro volume d’A Trilogia do Fogo das Bruxas, “A Mais Longa das Noites”, o festival de máscaras da cidade fantasma de Corvis é quase um convite para a idéia de que, se algo tem chances de dar errado, essas chances são (ou parecem ser) muito maiores em uma noite onde o profano e o herético tomam o lugar da ordem e do sagrado.


Certamente uma das datas apocalípticas mais populares é a infame sexta-feira 13, e não é que ela virou justamente o título de uma das franquias de terror mais conhecidas do cinema? Tudo porque o coitado do Jason Voorhees nasceu, naqueles idos de 1946, numa sexta-feira 13 de junho.


(Isso quer dizer que se ele tivesse nascido um dia depois, a franquia seria chamada “Sábado 14”?)


As datas apocalípticas despertam temor quando são usadas basicamente de duas formas: como forma de aviso para algo desconhecido que está para ocorrer; e como uma amarga lembrança de um fato passado, e que pode se repetir novamente. Cito dois exemplos interessantes da primeira situação: o próprio filme “11-11-11”, cujo título já entrega a data, e o filme “Presságio” (“Knowing”, de 2009, estrelado por Nicolas Cage), no qual o protagonista descobre que os números de um documento deixado numa cápsula do tempo informavam a pior coisa que uma pessoa poderia saber (assista o filme, não vou estragar o final). Diz-se que o deus monstro Cthulhu ressurgirá quando as estrelas estiverem alinhadas. E se o seu personagem, um astrofísico, perceber que o alinhamento das constelações acontecerá daqui a uma semana? Já imaginou o clima que isso acarretaria sobre uma mesa de jogo investigativa de horror moderno?


Uma data usada como uma amarga lembrança remonta a fatos traumáticos que o homem gostaria de esquecer, mas que novamente representam riscos ao serem colocados na balança do destino (a.k.a. decisão do mestre, a.k.a. rolagem dos dados). O dia 28 de janeiro de 1986 ficou marcado para sempre na história do programa espacial norte-americano com a tragédia que vitimou a tripulação do ônibus espacial Challenger, que explodiu em sua décima missão. A primeira civil a participar de um vôo espacial, a professora Christa McCauliffe, estava entre os tripulantes. Imagine se a professora tivesse uma filha recém-nascida, e que em um futuro próximo a menina, já com 30 anos, tivesse se tornado astronauta. Imagine o impacto que teria para ela saber que a decolagem do foguete “Horizon” (o substituto dos ônibus espaciais) acontecerá em 28 de janeiro de 2016.


Imagine agora que, com a proximidade da data, pesadelos horrendos envolvendo presas e bocarras abissais, repletas de tentáculos se formando no espaço, estejam tirando o sono da jovem McCauliffe mais freqüentemente. Um aviso? Ou seu subconsciente enlouquecendo?


Pense também no que hoje representa o 11 de setembro para as famílias que perderam parentes nos atentados às Torres Gêmeas em 2001.


O uso de datas apocalípticas é tão melhor aproveitado nas mesas de jogo quanto maior for o envolvimento dos PJs com esse evento. Para muitos aqui, o dia 19 de setembro pode não significar muito (ou mesmo coisa alguma), ao contrário daqueles (como eu) que fazem aniversário nesse dia.


Como envolver seus jogadores? Sugiro revelar o significado real da data apocalíptica aos poucos, como ditam as regras dos bons jogos de investigação. As pistas podem estar em um livro, pergaminhos que precisam ser ordenados para permitirem uma leitura clara, ou mesmo em um misterioso e-mail que, vira e mexe, surge em sua caixa de mensagens (enviado sabe-se Deus por quem!). Falando novamente do filme “Presságio”, imaginem o terror do professor Jonathan Koestler (interpretado por Nick Cage) ao descobrir que os últimos números do papel encontrado na cápsula eram a data do evento final do filme!


Muitas vezes a apreensão, o medo e o terror de uma aventura ligada a datas apocalípticas são os elementos mais apreciáveis que o final da trama em si. Faça valer cada segundo, use informação mesclada com “contra-informação” (detalhes que aparentemente esclarecem tudo, mas na verdade são elementos que direcionam os PJs para o lado errado). E quando a angustiante contagem de tempo encerrar e a data fatídica chegar, a “vida” como os personagens a conhecem poderá mudar para sempre - a Terra pode ser atingida por tempestades solares, mortos começarão a caminhar sobre o mundo ou o grande Cthulhu finalmente acordará...

5 comentários:

Elves disse...

Apoiado u.u

Xiko do Couto disse...

Parabéns, pelo aniversário e texto.

Rodrigo "Ragabash" disse...

Egua da liga!

Preciso tomar uma pra assimilar melhor essas informações... hehehehehhehe

Muito bom, André!

André Mousinho disse...

Huahua, "why", Raga? Foi só um artigo sobre minha visão das datas apocalípticas nas mesas de jogo...!

Mas obrigado de qualquer modo!

RPGeo disse...

O autor viajou "legal"... em todos os sentidos... =P

Idéias bem interessantes! Parabéns.

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