2 de agosto de 2011

RPG e Suas Bases

Autora: Cíntia Lisboa

Olá galera! (:
Particularmente não sei como definir o RPG em uma única corrente teórica, e sinceramente nem sei se é o mais aconselhável.

Eu vim falar de RPG e suas bases, porque há um tempo estava lendo “O guia de Sobrevivência á Zumbis” e minha tia falou “com o ENEM na porta, tu ficas lendo essas coisas ai, podendo ler algo que vá te ajudar... mas não...”. Enfim! Meu primo respondeu por mim e disse “mãe, isso não deixa de ser uma literatura e blábláblá...” nessa hora eu sai da sala e fui comer. u.u
Depois fiquei pensando em qual “faceta” poderia inserir o RPG.

Bem, como base eu observo três elementos primordiais para o início de um RPG, seja ele uma campanha ou um sistema. Enfim, terás que ter a literatura, a arte e a interpretação. Esses são os que me vêem na cabeça. Se vocês observarem mais, é só acrescentarem nos comentários contribuindo com suas observações. (:
A literatura se torna mais que óbvia quando se trata de uma campanha, por ser o exemplo mais prático. Afinal de contas, tem que se criar uma história e, provavelmente, o mestre irá anotar alguns pontos em seu caderninho ou...

Realmente irá criar um conto e aí sim, ele terá que ter uma base literária. A literatura representa UMA das facetas do "jogo". Cito outras como as artes cênicas, a matemática, a história, a sociologia, antropologia, lingüística, etc.
Como conceito, a priori, o RPG é uma simulação de realidades que são construídas por grupos de pessoas. A literatura do RPG responde por todo material escrito que tenta legitimar essas realidades. O livro Vampiro - A Máscara é um exemplo da literatura produzida que dá subsídio a uma realidade fantástica. Os textos que compõem a obra (contos, crônicas, descrições...) se associam à construção do cenário pelo mestre, que se associam às histórias dos jogadores que constituirão juntos, a realidade "in game". Mas toda a escrita produzida, responde a literatura? Essa é uma de minhas dúvidas.

Em relação à arte, podemos observar todos os cenários, todas as características dos personagens. É um acessório. É sempre a mesma roupa. É um escudo. São todos os trabalhos visuais, são pequenos detalhes que fazem a diferença. Em livros, por exemplo, tiro o Lobisomem (mundo das trevas) onde as imagens são tão... tão... surpreendentes! É perceptível que houve um trabalho fantástico por trás de tudo aquilo.
Trazendo mais pra nossa realidade observamos isso nas fichas do John Bogéa. Quem já jogou com ele (e até mesmo quem não jogou u.u) percebeu isso. As fichas são todas caracterizadas, são todas... “fodas”. :D

Isso facilita muito o jogador a imaginar seu personagem já que no caso não foi feito pelo mesmo e sim escolhido na hora. Ajudando o jogador a incorporar mais o personagem, mas isso entra no próximo parágrafo.
E por último, mas não menos importante, a interpretação. Nesse caso não tenho muito que falar. Cada um tira sua conclusão. Afinal, cada um interpreta ou “interpreta” de sua maneira. Resta ao mestre aceitar ou não.

Eu sou daquelas que acha válido o mestre se “meter” na interpretação de algum de seus jogadores se o mesmo estiver afundando a mesa junto com sua interpretação. A dúvida que persiste em relação a isso, é se pode ser considerada sim ou não uma espécie de divisão oriunda da dramaturgia. Porque no teatro, os atores interpretam, contudo, possuem um script. E no mundo RPGístico isso não acontece. O jogador é livre para fazer suas ações. O grande Deus da mesa, o mestre, é que tem que saber contornar tudo isso e não fugir da linha do jogo e da sua campanha obviamente.

9 comentários:

Fabricio Caxias disse...

A "arte" vem mais facil pra quem tem talento com a coisa.

Elves disse...

Porra agora que vc citou isso de arte, eu concordo. Arte pra mim, é tudo aquilo que nos faz ter orgulho de sermos humanos e também o que dá momentaneamente algum sentido pras nossas insignificantes existências. E não sei vocês, mas eu me sinto muito bem quando to jogando, como se nada mais importasse no momento, como se aquilo fosse, sei lá, minha vida real (nerd) RPG É FODA E EU VOU FAZER MINHA FAMILIA JOGAR G.G

Elves disse...

Continuando o raciocínio) Mas se bem que basicamente o único estilo que me faz sentir vivo mesmo é o horror. Talvez seja por causa da relação com o medo ou a fragilidade do ser humano que esse tema interesse tanto muita gente. ih maior viagem, to pirando jah. de qualquer forma toda experiencia é válida, mas acho que uma certa parte dos rpgistas/leitores só conseguem buscar aquilo que é aterrorizante ou sinistro. porque esse interesse com o horror?

John Bogéa disse...

A Cíntia arrebentando nos artigos, parabéns.

E obrigado pela citação. :)

RPGeo disse...

Pra mim RPG é Roleplay (Interpretação de Personagem) + Game (Sistema), com o objetivo de criar uma história. Se faltar um desses elementos deixa de ser RPG.

Interpretação de Personagem = Tomar decisões e agir de acordo com as características do personagem.

Sistema = Qualquer coisa q resolva os possíveis impasses do jogo desde O mestre decide os impasses, passando por "Role 1d6, 5 ou mais você consegue" até chegar em GURPS.

Logo rolar dados, tomar decisões e descrever ações você faz ATÉ jogando WAR ("Eu ataco com meus aviões a 'conchinchina'!"), jogar RPG é muito mais que isso.

Eu gosto de ambos com um certo equilíbrio, interpretação e tática (pra mim D&D te possibilita os dois na medida certa), outros gostam MAIS só de Roleplay (o que também acho fantástico), eu já joguei mais de 2h de 3d&T só com diálogos e descrições, e outros preferem mais o Game, o q eu não gosto, apenas rolando os dados e comtabilizando números... interpretanto apenas quando solicitado e de forma superficial.

Alguns sistemas permitem essa última situação enquanto outros cercam-se de mecânicas para "forçar" os jogadores a interpretar e impedir que isso aconteça, entretanto já ví sessões inteiras de Dragon Vampiro Z e 3"Dramatic"&T.

No final das contas não é o sistema que define a interpretação e sim o grupo, mestres e jogadores, que dão o ritmo e dosam a quantidade de Roleplay e de Game que vai ter em sua sessões.

Um grande abraço.

- Fernando Alves

Michael Wevanne "Mwxs" disse...

Cintia dando 2 hit combo! Hehehe.

Sempre chegando com artigos com bastante espaço para discução, legal.

Eu faço minhas as palavras do Fernando "RPGeo" acima.

Gostei muito do conceito trabalhado: Literatura + arte + interpretação. Só precisava mesmo adicionar o que foi tratado pelo Fernando, a parte das regras, o GAME do ROLEPLAYING, que seria a emulação das "leis físicas" que regem a realidade de cada jogo, seja competitiva, cooperativa ou narrativista, embora estes aspectos geralmente se sobrepoem em vários momentos.

O material também me fez pensar sobre os "tipos de jogadores" de acordo com as classificações que foram vistas em algumas das antigas revistas Dragão Brasil. Os Historiadores (com foco maior na "literatura"), os Interpretadores (com foco na "interpretação", representação dos personagens) e os overpowers (com foco principal na experiência do RPG enquanto jogo: suas regras, bônus, estratégia, etc).

A Cíntia inseriu um elemento interessante que foi a Arte (o material visual e o conteúdo dramático por si, etc).

Mais uma vez, parabéns a autora do texto.

Cíntia Lisboa disse...

Obrigada gente (: E.. aproveitando o espaço agora, agradecer a vocês do Rpg Pará por estarem abrindo um espaço e inserindo minhas idéias u.u

Obrigada também pelos conselhos.. aah *--*

Apok disse...

Sou totalmente leigo no assunto.Querendo jogar(me informando primeito)Mas... Curti as informações deste artigo, muito bom ^^

Cíntia Lisboa disse...

Fico feliz em saber que posso estar ajudando aos outros :)

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