23 de abril de 2010

A Hora de Parar

Acho que todo Narrador-empresário, um dia já se perguntou qual a hora de parar.

Não me refiro, aqui, aos Narradores eventuais e aleatórios que não fazem do RPG uma de suas paixões cotidianas, pois, para estes, o hobby é tão somente um detalhe; um passatempo sem muita importância para ocupar as horas em que não há absolutamente nada para fazer. Falo, sim, daqueles que se dedicam ferozmente ao seu trabalho. Aos que perdem horas de sua semana planejando, criando, suando, refletindo sobre sua produção. Tudo para levar, a cada novo encontro, algo de interessante ao consumidor final: o jogador. Ouso chamá-los de "Narradores-empresariais": iluminados com um dom único de criar empresas empolgantes, não cobrar nada por seus servições, e, no fim, seus esforços não são reconhecidos nem valorizados pelo público.

A reflexão sobre hora de parar surge quando mercado não oferece mais o perfil de mão-de-obra adequado. Sim, pois o que mais vemos hoje, vagando esquinas e parques de nossas cidade, é um completo amadorismo fundido à falta de compromisso e qualificação. Não demora para surgirem os desentendimentos com os subordinados por faltas não justificadas, por atrasos constantes, ou por uma insubordinação grave em serviço. A demissão é apenas uma questão de tempo. Provavelmente estes narradores-empresariais já se perguntaram se não levam "a coisa" à serío demais; se não pegam pesado com os membros de sua staff. Neste momento o saudosismo dos dias antigos embriaga suas mentes e eles recordam os companheiros de trabalho que o ajudaram a concretizar seu empreendimento e que realmente lutavam pelo bem-estar da empresa. Naquela época os dias eram bons. Os vínculos fortes de amizade culminavam em um clima organizacional ótimo. O trabalho definitivamente tornava o homem um ser virtuoso.

Não obstante às dificuldades atuais, o narrador-empresarial não desanima. Quando os recursos humanos estão escassos, resta a ele buscar uma solução pelos obscuros "Mbits" da world wide web. Ledo engano: se a tradicional "entrevista presencial" com um pretenso candidato à vaga já era infrutífera, mais frustrante ainda será a tentiva de "recrutamento e seleção" pela internet: um tiro no escuro e que geralmente sairá pela culatra. Sem a mão-de-obra que ele necessita, a empresa torna-se obsoleta e não pode mais acompanhar as constantes inovações tecnlógicas. Na tevê lançam a versão 3.5; no outro dia a 3.75; na manhã seguinte a 4.0. O narrador-empresário se assusta e, subtamente, a falência bate à sua porta. É hora de parar.

Ser um narrador-empresário é o destino de poucos. Peço aos jogadores que valorizem os seus, pois tenho quase certeza que ele valoriza vocês.

Avante RPG!

5 comentários:

Ricardo Foureaux disse...

Putz........ profundo isso...

Raphael Oliveira disse...

É tudo uma questão de comprometimento das pessoas que compõem o grupo de RPG. Existem também narradores que faltam ou atrasam, mas o ideal é que todos (narrador e jogadores) cheguem antes do horário marcado pra jogar conversa fora e começar a sessão de forma pontual.

Fica até parecendo obrigação, porém todos estão gastando seu tempo - principalmente o narrador que gastou também ao preparar a sessão no decorrer da semana - e algo que ninguém gosta é de se sentir frustrado.

Eu acho que RPG tem que ter compromisso e trabalho DE grupo.

Michael Wevanne disse...

achei inteligente do livro do mestre (assim como outros pontos tambem) a referencia a "regra da uma hora".

ao programar uma partida de jogo e seu tempo de duraçao, o mestre deve contar uma hora antes e uma hora depois de "papo jogado fora".

na pratica, eh isso que acontece na maioria das vezes (ao menos nos meus grupos de jogo).

talvez tenha entendido errado, mas o autor estah criticando principalmente os jogadores? bem, o dever de prender a atençao dos jogadores eh responsabilidade do mestre. ou no minimo, se negar a mestrar para aqueles que nao dao o devido valor ao que ele julga merecer.

eu sou um entusiasta do hobbie? pode apostar que sim. eu levo a serio o RPG? nem tanto. e nem sempre. quase nunca na verdade. o unico compromisso que assumo ao rolar dados multifacetados eh o de me divertir e, obviamente, divertir os jogadores tambem. caso uma destas premissas esteja falhando, devo rever meus conceitos.

um exemplo real: mestrava num grupo chamado "mesa aleatoria". mestrava varios cenarios e sistemas. um dia, percebi que estava com poucos jogadores e praticamente parei de jogar.
soluçao: comecei a mestrar o jogo que fosse chamar a atençao. D&D foi uma boa pedida, criei um grupo novo, conheci outras pessoas e me divirto (e divirto!).
ou seja, nao eh soh a MINHA diversao como mestre. mas a do grupo todo, que podem muito bem possuir outros interesses!

Daniel Coimbra disse...

Por isso que eu adoreia nova edição de D&D, que já não me consome o tempo que nãomais tenho para preparar aventuras, escolher os desafios certos e buscar a diversão da galera.

Diversão aliás que deve ser princípio, meio e fim. Conheci um cara que se chama Menkel, que apesar de ser um mongol, querido, mas mongol, sempre repetia uma frase que guardei para a minha vida: levar a sério a brincadeira!

Sim, é um hobbie, é uma brincadeira, mas quando é levada a sério, pelo grupo ali reunido, se torna muito mais divertida e alcança propósitos não antes imaginados.

E que rolem os ossos!

: )

Gilson disse...

O tempo é implacável. Referência ao final de "O Menino Maluquinho".

Gilson

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