4 de novembro de 2009

Entrevista: A Casa de Plástico

Salve povo! Hoje estou trazendo a vocês uma entrevista que fiz com os integrantes do grupo A Casa de Plástico.

A Casa de Plástico é um grupo paraense de criação e desenvolvimento de jogos de RPG. Dentre os seus projetos de desenvolvimento estão previstos lançamentos de jogos em formatos de RPG de mesa, Card Game e War Game. Vamos conferir a entrevista!


RPG Pará: Quais são os integrantes do grupo A Casa de Plástico? Quais suas funções no grupo e quais suas formações profissionais/educacionais?

Fabrício: Fabrício Caxias: criador de Cenários, monstros etc., Biólogo, mestrado em Taxonomia de Percevejos; John Bogea: o homem da mecânica, diagramação, etc., Publicitário; Dorival Moraes Jr: ilustrador, desenhista, etc., se formando em artes plásticas na UFPa; Michael Wevanne: assessor Financeiro, estudante de administração na UNAMA.


RPG Pará: A Casa de Plástico é um grupo ousado e pioneiro, em certos aspectos, na criação de jogos de RPG no Estado do Pará. O que motivou a formação do grupo?

John: não sei se somos pioneiros em criação de jogos em Belém, mas pelo menos somos os primeiros a pensar em fazer livros bem produzidos e tentar inseri-los no mercado. Todo mestre de RPG, vez ou outra, já pensou em criar cenários/sistemas, mas tudo sem grandes pretensões. Quando começamos, eu e o Fabrício éramos pessoas com a cabeça cheia de idéias e com uma vontade incontrolável de materializá-las. A diferença é que dessa vez não queríamos fazer nada amador, nada simplório. Tínhamos pretensões maiores e mais ousadas. Fazer livros de RPG de “verdade”. Nada de ensaios de poucas e mal explicadas páginas. Cenários bem pensados (longamente e incansavelmente discutidos) e sistemas apropriados para esses cenários. Pensado em mercado, estratégias de marketing, pesquisas dentro da área de game design, formas de financiamento, distribuição, público alvo e etc. Usar um cenário de várias formas (o Mike chamou isso de "Universo Expandido"), tendo para o mesmo cenário vários jogos como o RPG enterpretativo, Card Games, Wargames e etc.

Fabrício: verdade! Nosso primeiro cenário era uma coisa sci-fi, que virou Sci-Fantasy, e acabou dando origem ao resto de muitos dos nossos projetos baseados em aventura, exploração, problemas sociais, dilemas pessoais ou mundiais, violência, etc.


RPG Pará: Acredito que a troca de idéias entre o grupo deve ter sido um fator importante para a materialização do trabalho. Que metodologia vocês usaram para definir os passos do grupo?

Fabrício: no começo, a nossa metodologia era bem rústica. Pensar, anotar, discutir, imprimir, discutir, modificar. Depois passamos a pensar mais, anotar e discutir com modelos mais fáceis de modificar, para dai imprimir e modificar de novo. Depois o John, pesquisando vários livros e jogos, descobriu que estávamos fazendo a coisa certa. Criar, fazer protótipos, testar, modificar e começar tudo de novo.

Dorival: nós também examinamos um volume imenso de material, de jogos publicados de todos os gêneros. Fóruns de discussão, conversas com jogadores experientes ou não, vídeo games, livros de ficção, filmes, novelas, histórias em quadrinhos. Tudo o que poderia servir de base criativa. Estamos sempre discutindo idéias novas. O John é um poço sem fundo de idéias. O cérebro dele está sempre a dez mil por hora. Tanto que, às vezes, temos mais idéias do que podemos trabalhar. Mas então entra o Fabrício com sua capacidade de organização. O seu repertório, em termos de ficção, e sua obstinação em fazer coisas de que ele goste. Tem também o Michael que, por razões alheias à vontade dele, não pode estar sempre conosco, mas cujas contribuições são sempre mais que relevantes.

John: leva um protótipo do livro, card, wargame e etc. Para ser testado primeiramente entre o grupo de criadores. Depois que ele tiver sido exaustivamente testado e todos os detalhes corrigidos e alterados passamos para a fase de playtest de terceiros. Escutamos todas as criticas e sugestões e o game passa para uma terceira leva de alterações, e por ai vai.


RPG Pará: Quanto ao mercado de RPG regional e no Brasil, como está a espectativa do grupo?

Dorival: nós já estamos desenvolvendo um modelo de pesquisa de mercado. Não somos administradores, nossos recursos são limitados, então a gente trabalha com o que tem à mão, mas estamos todos conscientes de que não adianta fazer um negócio desses sem saber se vamos ter público consumidor. Por isso, as pesquisas externas de público são uma parte muito importante do nosso trabalho, embora não esteja diretamente relacionada aos processos de criação. Deixamos a criação correr solta, independentemente de tendências de mercado, modismo ou qualquer outro treco do gênero.

John: o mercado brasileiro, apesar de ser um pouco recluso com o RPG, existe e toma forma a cada ano. Percebemos que as pessoas preferem produtos bonitos, bem produzidos e bem acabados, com um bom cenário e sistema elegante. O RPGista brasileiro “paga quanto pesa”. Acredito que ele procure em um game algo mais do que preço. Ele procura qualidade. Algo que vai render centenas de horas de diversão (e isso não tem preço).


RPG Pará: Quanto aos títulos de jogos, vocês já tem algum em produção?

Dorival: temos vários títulos em produção. Já estamos em fase de testes de alguns, como um alpha test, saca? Pra gente ter um material consistente, com o mínimo de erros, tanto de construção como de deign. Assim que acabarmos esses primeiros testes nós vamos pra segunda etapa de testes, que vão definir o produto final. Quero dizer, o produto que deve ir pro mercado. Estamos trabalhando em um wargame que já está num processo bem adiantado também de desenvolvimento. Estamos trabalhando num sistema próprio, com cenário próprio, que deverá ser o carro-chefe da Casa. Aliás, esse cenário é o primeiro filho do John e do Fabrício, e por isso trabalhamos com todo cuidado, sempre revisando conceitos, pra que seja uma coisa ao mesmo tempo original, divertida e rentável em termos de mercado.

John: estamos nos dedicando a dois projetos e cenários bem peculiares. Um cenário de epidemia zumbi. A terra devastada por zumbis esfomeados. Um jogo de insanidade violência e desespero. Desse cenário, primeiramente, vai sair um wargame e um livro de RPG. O segundo é um cenário sci-fi. Uma terra pós-apocalíptica em que os poucos humanos tem que sobreviver em meio a uma guerra por energia e criaturas alienígenas carniceiras. Desse cenário, primeiramente, vai sair um Cardgame e um livro de RPG. Para todos os cenários trabalhamos haverá sistemas próprios. Sistemas que encaixem perfeitamente na necessidade de cada um (sim... prefiro ter nossos próprios sistemas a usar sistemas livres).


RPG Pará: Vocês estão realizando testes com as mecânicas dos jogos que vocês estão desenvolvendo. Não há o interesse de envolver jogadores nos testes para coleta de opinião do público, tal como a Blizzard faz?

Dorival: certamente! Como eu mencionei antes, estamos trabalhando a mecânica básica dos jogos como em um "closed alpha". É o momento em que nós definimos o esqueleto do jogo, enquadrando os cenários ao sistema, afinando regras, etc. É um momento delicado, porquê o que sai desse processo é o que vai ser levado para o primeiro grupo de "beta testers", que vai ser a nossa segunda etapa de desenvolvimento.

John: sim! Na verdade queremos muito envolver vários tipos de jogadores, mas primeiramente temos que deixar o projeto o mais "redondo" possível.
Fabrício: verdade! E infelizmente, apesar de tudo, há uma grande dificuldade de achar betas em Belém. Eu, por exemplo, trabalho mais diretamente no desenvolvimento do Sistema FOCOS, e dois dos meus testes mais assíduos são de fora. E isso porquê o FOCOS é um sistema de MSN.


RPG Pará: Quais são os próximos planos ou passos do grupo para que os RPGistas do estado possam aguardar?

Dorival: ah! Em breve lançaremos uma linha de ficção, baseada nos nossos produtos, com romances, novelas e trilogias imensas. Também lançaremos nosso próprio selo de quadrinhos e mangá. A nossa griffe "le haute de plastique" está em seu estágio embrionário. Em breve estaremos no mundo fashion. Também temos planos pra abrir nossa produtora e gravadora, e investir pesado no hardcore, folk irlandês e baião.

Fabrício: Espero que os jogadores baixem nossos Free Source e aguardem nossos produtos quase finalizados, como o Terra Devastada, o CardGame e nosso RPG, para novos jogadores, Focos Fantasy de Mesa.

John: futuramente vamos ganhar um site. Se os jogadores quiserem se cadastrar para playtests, até lá teremos projetos prontos para isso.

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OBS.: como na foto aparecem seis pessoas, as outras duas são colaboradores do grupo. Eles são a Luana Aires (revisão de texto) e o Osmar (ilustração).

Para maiores informações, vocês podem conferir na Home Page do grupo: http://acasadeplastico.blogspot.com/

4 comentários:

Seth disse...

A foto do John é a primeira...ele é o ranger vermelho? XD

Gilson disse...

Bacana!

Gilson

Gilson disse...

Faltou falar dos últimos dois. Quem são? O que fazem fora e dentro do grupo?

Gilson

Leonardo disse...

muit bom, não sabia da existencia desse grupo mas foi muito bom saber agora, e fiquei interessado no cenario de ipedemia de zumbi.muito interessante mesmo.^^

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